segunda-feira, 5 de abril de 2010
JESUS EM MINHA VIDA
Em todas as religiões cristãs, Jesus é o Modelo de conduta, é o grande Mestre que ensina a viver melhor, é o Modelo e Guia.
Jesus nada escreveu, mas falou a todos aqueles que O quiseram escutar fosse por necessidade, por curiosidade ou, até mesmo, por desejo de combatê-Lo.
Suas ideias e ensinamentos disseminaram-se rapidamente pois aqueles que O ouviam comentavam, encantados, Suas palavras com outrem.
Depois de Sua morte física, os apóstolos levaram Seus ensinos a lugares distantes, aumentando o número daqueles que os conheceriam.
Alguns dos seguidores escreveram a respeito do que viram e ouviram de Jesus, e esses textos formaram os Evangelhos.
Sua vida e Sua obra, eternizadas por esses textos, são as mais comentadas e discutidas pelas civilizações da Terra, através dos tempos.
Em todas as religiões cristãs o Evangelho é a base dos estudos e das pregações possibilitando, a todos, reflexão.
O Evangelho pode ser considerado como um testamento que Jesus deixou para a Humanidade, sendo o mais belo poema de esperanças e consolações a que podemos ter acesso.
Ainda hoje, Sua voz alcança os ouvidos de todos aqueles que O buscam, com lições de beleza e de felicidade, dando oportunidade de esperar por melhores dias à medida que nos ensina a autossuperação.
Nos dias atuais, conhecer e estudar o Evangelho está ao alcance de todos, diferentemente do que acontecia quando isso era reservado apenas aos líderes espirituais de algumas religiões.
Mas, será que o conhecimento do que disse Jesus, dos Seus exemplos, das Suas ideias nos serve para realmente modificar nossas vidas?
Será que procuramos ser simples e humildes como Ele nos ensinou?
Será que, diante de um ato violento seja físico ou moral, feito contra nós, sabemos mostrar a outra face ao agressor, dando-lhe um exemplo de brandura e não de revide?
Será que, ao nos sentirmos ofendidos, sabemos perdoar, da mesma maneira que, quando ofendemos queremos ser perdoados?
Será que somos capazes de dialogar com todos, a despeito de quaisquer diferenças, mantendo-nos calmos e pacíficos?
Somos capazes de tratar com amor alguém, cujas atitudes não estejam de acordo com nosso padrão moral, sem fazer julgamentos?
Somos capazes de refletir sobre aquilo que nos faz sofrer, sem nos julgarmos vítimas, mas sim responsáveis, e, dessa maneira, conseguirmos usar este sofrimento para nos modificarmos interiormente?
Será que temos, realmente, ouvidos de ouvir, ou decoramos as passagens dos Evangelhos e as repetimos superficialmente sem nada colocar em prática?
Nosso querido Mestre Jesus esteve entre nós porque desejava deixar um caminho a seguir.
Se queremos realmente conhecê-Lo não basta apenas ler ou ouvir o que Ele falou, mas sim experimentar, em nossa vida, Seus ensinamentos, colocando-os em prática.
Como nosso amigo e terapeuta, Ele espera que possamos abrir coração e mente para as reflexões que há dois mil anos estão espargidas no ar que respiramos, esperando solo fértil para germinar e florescer.
Redação do Momento Espírita com base no seminário O significado de Jesus: o encontro real - mudanças internas, desenvolvido no Encontro fraterno com Divaldo Pereira Franco, realizado na praia de Guarajuba – BA, em setembro de 2009 e na introdução do livro Jesus e o evangelho à luz da psicologia profunda, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 28.12.2009.
VOCÊ É INSUBSTITUÍVEL!
Quantas vezes você já ouviu a frase: Ninguém é insubstituível?
Pensando bem, ninguém é insubstituível, no sentido de que todos os seres humanos somos transitórios. Hoje estamos aqui e amanhã poderemos não mais estar. E, a qualquer momento, poderemos ser substituídos no cargo que ocupamos, na realização da tarefa que nos devotamos. E essa é uma realidade de muitas instituições, onde as pessoas são descartadas, por qualquer motivo ou motivo algum. Contudo, ao se repensar bem a frase, percebemos que ela é inverídica sob variados aspectos. Basta se faça um passeio pela História da Humanidade e logo descobriremos pessoas que fizeram a grande diferença no mundo. No campo de arte, recordemos de Beethoven. Ele morreu em 1827. Quem o substituiu? Embora tantos músicos depois dele, ninguém compôs sinfonias como ele o fez. Nunca mais houve outra Sonata ao luar. Ele foi único. E ouvindo as suas sonatas, seus concertos quem recorda que ele era surdo? Único e insubstituível também foi Gandhi, o líder pacifista e principal personalidade da Independência da Índia. Quem ensinou a não violência como ele o fez? Quem, depois dele liderou uma marcha para o mar, por mais de 320 quilômetros para protestar contra um imposto? Quem conseguiu a independência de um país da forma que ele o fez?
E que se falar de Martin Luther King Junior? Depois dele, alguém teve um sonho que custasse a própria vida? Um sonho em que os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos se sentassem à mesa da fraternidade. Um sonho de que os homens não fossem julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter. Ele morreu em 1968. Quem o substituiu?
Quem substituiu Madre Teresa de Calcutá, com seu amor, seu bom senso, sua capacidade de entender a necessitada alma humana? Quem substituirá o colo de mãe ao filho pequeno? Quem poderá substituir o abraço da amada que partiu, do filho, do esposo que realizou a grande viagem? Tudo isso nos leva a pensar que cada pessoa tem um talento especial, uma forma de ser particular e, com isso, marca sua passagem por onde passa. Outros virão e tomarão seu lugar, realizarão suas tarefas, dispensarão amor, farão discursos importantes, mas ninguém como ela mesma. Um órfão encontrará amparo e ternura em amorosos braços, o esposo poderá tornar a se casar mas nunca será uma substituição. A outra pessoa tem outros valores, outros talentos, outra forma de ser.
Pensemos, pois, que, de verdade, cada um de nós onde está, com quem está, é insubstituível. O que cada um de nós realiza, a ternura que oferece, a amizade que dispensa, o carinho que exprime é único. Isso porque somos Criação Divina inigualável. Criados à imagem e semelhança do Criador, com nuances especiais, conquistadas ao longo das eras e que se expressam no sentir, no agir, no falar. Pensemos nisso e, em nossa vida, valorizemos mais as qualidades dos amigos, familiares, colegas, conhecidos, tendo em mente que cada um deles é insubstituível. E valorizemo-nos porque também somos insubstituíveis no coração das pessoas e no mundo.
A palavra normose foi criada na França pelo escritor e conferencista Jean-Ives Leloup para designar, em síntese, essa forma de comportamento visto como normal mas que, na realidade, não é normal.
Transportando esse conceito para observação da sociedade atual verificamos que as pessoas se pautam por padrões estabelecidos por alguém ou um grupo, em algum momento.
Por exemplo, segundo padrões da moda atual, ser normal é ser magro e bonito.
Para isso, vale dieta e, a cada dia surge uma diferente, ditada por essa ou aquela celebridade que afirma ter conseguido o peso ideal em um tempo mínimo.
Para alcançar as medidas ideais da dita normalidade vale a frequência a academias, com rigorosos exercícios físicos, massagens e tudo o mais que possa permitir atingir o idealizado.
E depois vêm as cirurgias para modificar tudo que seja possível alterar.
Não escapam os dentes, que devem ser perfeitos e brancos e, para isso, submetem-se as pessoas a aplicações de laser, porcelana e o que mais seja necessário.
Não importa se algo faz mal à saúde. O importante é ser normal que inclui, ao demais, estar sempre na moda, vestir a roupa do momento, custe o que custar.
Gastam-se verdadeiras fortunas com cabeleireiros, maquiagem, produtos de beleza.
Porque não se pode perder festa alguma. Nem evento importante. Isso logo nos desqualificaria como um ser normal.
Naturalmente, é louvável o cuidado com o corpo, a atenção ao parecer bem, à elegância. Faz parte da evolução da criatura cultivar o belo, o bom.
Mas daí aos exageros, aos excessos vai uma distância que prima pela insensatez.
Gasta-se o que não se tem, finge-se o que não se é. Tudo para parecer normal... Como os demais.
Que padrão de normalidade, afinal, estamos elegendo? Algo totalmente físico, exterior, passageiro em detrimento de valores reais?
Será isso que desejamos para os nossos filhos, a Humanidade do amanhã?
Desejaremos uma Humanidade de pessoas esquálidas, bulímicas, estressadas e vazias de conteúdo?
Cabe-nos pensar um pouco, antes que nossos filhos, por não atenderem aos padrões ditados por alguns se lancem no fundo poço da depressão, perdendo as oportunidades de progresso nesta vida.
Estamos na Terra para angariar sabedoria, ilustrar a mente, dulcificar o coração, ascender à perfeição.
A mente se ilustra com estudo, reflexão, esforço. O coração se dulcifica no exercício do bem ao próximo, entendendo que as diferenças existem para permitir realce à verdadeira beleza.
Invistamos nisso. E, em vez de nos esgotarmos em horas e mais horas de trabalho para conseguir mais dinheiro para atender a necessidades tolas, reservemos tempo para conviver com a família, com os amigos.
Reservemos tempo para leituras, alimentando as ideias; para a reflexão, a fim de nos enriquecermos interiormente.
Tempo para olhar o nascer do sol e seu desaparecer no poente, para ouvir a sinfonia da chuva em dias quentes, o agradecimento da terra pela água que sorve, com sofreguidão.
Tempo para amar, para viver, para ser um humano de valor, para ser feliz.
Pensemos nisso.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo encontramos a informação de que os homens de bem ignoram que são virtuosos.
Eles deixam-se ir ao sabor de suas aspirações e praticam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
Pessoas assim existem muitas espalhadas por esse imenso mundo de Deus. Em todas as épocas, em todas as nações.
Longe, muito longe. E bem perto de nós. Por isso, prestemos atenção para não perdermos a chance de nos mirarmos em seu exemplo.
Assim era com Hans. Um pintor de paredes no século XX. Um homem simples que morava numa rua pobre, perto de Munique, na Alemanha.
Ele fora convocado para a Primeira Guerra Mundial. E voltara para casa, ileso.
Agora, a Segunda Guerra Mundial batia às portas e apertava o cerco a cada dia. Como uma megera que avançasse, penosamente se movimentando, entre as brumas do medo e da insegurança.
Quando a perseguição aos judeus se estabeleceu, ele perdeu muitos clientes. Afinal, os judeus tinham posses e, até há pouco, eram seus melhores clientes.
Agora, eles eram os indesejados sobre a face da Terra. Ao menos naquele pedaço de terra governado pela loucura daqueles dias.
Então, veio o aviso de que as bombas estavam chegando sempre mais próximas. Havia quem não acreditasse que aquela cidadezinha dos arredores de Munique pudesse constituir um alvo.
Mas os abrigos foram marcados e as janelas tinham que passar pelo processo de escurecimento para as horas noturnas.
Para Hans, foi uma oportunidade de trabalho. As pessoas tinham venezianas que precisavam ser pintadas. De preto.
Verdade que a tinta logo se esgotou. Mas ele pegou pó de carvão e foi misturando. Foram muitas as casas de todas as regiões de Molching das quais ele confiscou dos olhos inimigos a luz das janelas.
Muitas vezes, na volta para casa, mulheres que nada tinham além de filhos e miséria, corriam para ele e imploravam que pintasse suas janelas.
Ele poderia sugerir que elas utilizassem cobertores para pendurar nas janelas.
No entanto, sabia que eles seriam necessários quando chegasse o inverno.
Desculpe, não me sobrou tinta preta. – Dizia ele. Amanhã bem cedo. – Marcava.
E lá estava ele, na manhã seguinte, pintando as tais janelas. Por nada. Ou por um biscoito e uma xícara de chá quente.
Por vezes, uma conversa, no degrau da frente desta ou daquela casa. E o riso se erguia da conversa, antes de partir para o trabalho seguinte.
Um homem bom. Pobre, servia a quem mais pobre fosse. E servia com alegria.
Redação do Momento Espírita, com base no item 8 do livro
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb
e na pt. 7 do livro A menina que roubava livros, de
Markus Zusak, ed. Intrínseca.
A vida religiosa decorre desse sentimento religioso.
Dessa forma, não somos religiosos porque frequentamos um templo religioso ou porque tenhamos um rótulo de religião.
Tampouco porque pratiquemos esse ou aquele ritual no campo da crença.
Somos religiosos pelo estilo de vida que levamos na Terra.
Por isso, muito importante verificar como é a nossa vida religiosa.
Será que a nossa religião nos leva a vivenciar no dia-a-dia, no cotidiano, as coisas mais importantes para a nossa vida na Terra?
A vivência religiosa é um modus operandi, é um modo de ser diante da existência.
Existem indivíduos que se afirmam materialistas, ateístas mas vivem com determinada dignidade, numa linha de respeito ao semelhante, de amor ao próximo, de respeito às leis que, certamente, podemos garantir que eles têm uma vida religiosa de alto nível.
São materialistas mas não usurpam nada de ninguém. São incapazes de tripudiar sobre a ignorância ou a necessidade alheia.
Isso quer dizer que vivência religiosa, em essência, nada tem a ver com o ritual externo que chamamos de crença.
Essa vivência, para ser realmente religiosa, tem que se desenvolver de tal modo que nos conduza à religação com Deus, à ligação de novo com o Criador.
Deve nos levar à maturidade. Exige de nós reflexão e essa reflexão vai nos ajudando no processo do amadurecimento a fim de que sejamos, na condição de religiosos, pessoas alegres.
Alegria não significa viver sorrindo o tempo todo. Alegria é esse estado íntimo de saber-se representante do bem, de admitir que está fazendo aquilo para o que renasceu, cumprindo a vontade de Deus no mundo.
Cada vez que saímos de casa para trabalhar com disposição, com coragem - isso é motivo de alegria.
Quando levantamos pela manhã e beijamos nossos filhos, nos despedimos dos esposos - isso é motivo de alegria.
A vida religiosa deixa de ser a vida do templo e passa a ser a vida na vida, a nossa incorporação às Leis de Deus, nosso ajustamento à vida da sociedade, cumprindo as leis, cumprindo os nossos deveres, pagando nossos impostos, na certeza de que a religião existe para nos ensinar a viver no mundo.
A nossa vivência na Terra é um desafio e a vivência religiosa nos leva a ser pessoas dinâmicas, joviais, mas compenetradas.
Ao lado da nossa alegria, do nosso esporte, do nosso lazer, da nossa arte, sabermos que o que façamos vai alcançar outros corações, vai fermentar em outras almas, vai germinar em outros territórios emocionais.
Então, temos responsabilidades com tudo quanto dizemos, fazemos, brincamos, sorrimos, com tudo quanto cantamos, com tudo quanto gozamos.
A vida religiosa é esse mundo interno que abrimos para o mundo externo.
Lembremos Jesus Cristo que estabeleceu que a boca fala daquilo que está cheio o coração.
Redação do Momento Espírita, com base no Programa televisivo
Vida e valores - Vida religiosa, apresentado por
Raul Teixeira, sob coordenação da
Federação Espírita do Paraná.
As grandes almas, às vezes, renascem para desempenhar na Terra missões gloriosas.
Seus feitos encantam e servem de inspiração para todos.
Semeiam a paz e amparam os desgraçados, em larga escala.
Contudo, por imperfeito que ainda se apresente, todo homem tem uma função pessoal e intransferível nas engrenagens do mundo.
Assim, não se afirme à margem da vida e nem se considere inútil.
Também evite alegar impedimento para desertar da atividade que a vida lhe reservou.
Antes de protestar sua pouca importância, repare nas lições que vertem, silenciosas, do livro da natureza. Imagine se os vermes parassem de trabalhar, por se reconhecerem insignificantes. O solo ficaria ressecado e perderia a fecundidade, tornando-se incapaz de solucionar os problemas humanos.
Cogite se as sementes invejassem a posição das árvores maduras e generosas que lhes presidem a espécie. Caso elas desistissem de seu esforço obscuro na germinação e no crescimento, em pouco tempo a esterilidade anularia os recursos da terra.
Suponha que as papoulas deixassem de produzir em atitude de revolta contra aqueles que lhes deturpam a essência nos mercados do ópio. Deixaria de haver alívio para as dores de incontáveis enfermos desesperados.
Pense se as fontes singelas fugissem de sustentar os grandes rios e as formidáveis represas, a pretexto de serem humildes em excesso. Haveria prejuízo geral, com falta de preciosa energia com que a humanidade conta. Com a mente nessas lúdicas imagens, reflita seriamente sobre a sua posição no mundo.
Honre o posto de ação em que foi localizado, por singelo que ele lhe pareça. Diante da Lei Divina, não há ocupação útil aviltante.
As mãos que assinam decretos não vivem sem aquelas outras que preparam a mesa. Os braços que conduzem arados são apoios dos que movem máquinas poderosas.
O suor na indústria verte para sustento e conforto de todos. O asseio na rua é proteção à comunidade. Por gloriosa que pareça a posição de determinado homem, ele necessita do apoio de incontáveis outros, mais humildes. O bem é sempre resultado do esforço geral.
O relevante é saber se tornar útil, com os recursos que se possui. Não compensa invejar as facilidades alheias e com isso tombar na ociosidade. Por pequenos que pareçam seus talentos, movimente-os no bem. Se suas tarefas se afiguram singelas, honre-as ainda assim. Não se ocupe em colecionar rótulos passageiros, sem utilização proveitosa e digna. Também não se atrapalhe ao assumir muitos compromissos ao mesmo tempo. Importa, acima de tudo, fazer bem o que se deve fazer.
Redação do Momento Espírita, com base no cap.
LXXVIII do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
UMA PRECE
Meditando em tantas coisas que logo mais lhe tomarão todas as horas do dia, sem lhe deixar tempo para telefonar para o amigo que há muito não vê, ou almoçar com a família, eleve a Deus o seu pensamento e lhe diga:
Senhor, acalma meu passo. Desacelera as batidas do meu coração, acalmando minha mente.
Diminui meu ritmo apressado com a visão da eternidade do tempo. Em meio às confusões do dia-a-dia, dá-me a tranquilidade das montanhas.
Retira a tensão dos meus músculos e nervos com a música suave dos rios de águas constantes que vivem em minhas lembranças.
Ajuda-me a conhecer o poder mágico e reparador do sono. Ajuda-me a me preparar bem para o repouso de todas as noites, lembrando-me sempre que enquanto dorme meu corpo, eu, Espírito, adentrarei o verdadeiro mundo e irei aos lugares que a minha mente elegeu como meu tesouro.
Ensina-me a arte de tirar pequenas férias: reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor, papear com um amigo, afagar uma criança, ler um poema, ouvir uma música preferida.
Ensina-me a ter olhos de ver a beleza do céu azul, um raio de sol, a chuva da tarde, o cair da noite, com seu manto aveludado bordado de estrelas.
Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa perceber no meio do incessante labor cotidiano dos ruídos, lutas, alegrias, cansaços ou desalentos, a Tua presença constante no meu coração.
Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa entoar o cântico da esperança, sorrir para o meu próximo e calar–me para escutar a Tua voz.
Acalma meu passo, Senhor, e inspira-me a enterrar minhas raízes no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer até às estrelas do meu destino maior.
Obrigado, Senhor, pelo dia de hoje, pela família que me deste, pelo meu trabalho e, sobretudo, pela Tua presença em minha vida.
Tudo isto Te peço, Senhor, pois se estás comigo, em nenhum lugar me sentirei triste, porque, apesar da tragédia diária, Tu enches de alegria o Universo.
Se estás comigo, não tenho medo de nada, nem de ninguém, porque nada posso perder e todas as forças do Cosmos são impotentes para tirar-me o que me pertence, na qualidade de filho de Deus: o Teu amor.
Se estás comigo, tudo executarei em Teu nome. Enfim, em nenhum lugar me sentirei estranho, deslocado, porque estás em todas as regiões, na mais suave de todas as paisagens, no limite indeciso de todos os horizontes.
A brisa refrescante que arrefece o calor dos dias de verão somente nos beneficiará se a respirarmos compassadamente.
Somente poderemos sentir a chuva benfazeja que se derrama sobre larga faixa terrestre, trazendo a fertilidade ao chão e alimentando as fontes, se alongarmos as mãos para recolher o líquido precioso.
Também as bênçãos de Deus se espalham sobre todas as criaturas, porém, para que as possamos sentir, dulcificando-nos as vidas, é preciso que nos unamos, em sintonia feliz, a essas faixas de luz.
E esta sintonia se chama oração.
Redação do Momento Espírita com base no cap.3 do livro
Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira,
ed. Fráter e do texto Se amas a Deus, de Amado Nervo, do livro
Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana.
Em 08.02.2010.
A caridade da paz
Muito se fala em caridade, em fazer o bem ao próximo. Para muitos, isso pode parecer sinônimo de atitudes complexas, envolvendo, na maioria das vezes, a doação de bens materiais.
Mas há um tipo básico de beneficência ao alcance de todos, da qual habitualmente se esquece. Trata-se do cuidado de ocultar dos outros os próprios aborrecimentos, a fim de auxiliar. Talvez você haja iniciado o dia sob a intromissão de contratempos que lhe espancaram a alma.
À vista disso, se exibir a figura da mágoa, na palavra ou na face, ela se expande, como um tóxico mental. Um mal que só a você atingia passa a afligir todos que o rodeiam.
Quando a poeira invade seu reduto doméstico, obriga-o a limpar e a recuperar a pureza do ambiente que freqüenta.
O mesmo ocorre se você se desequilibrar e comportar-se asperamente, em face dos transtornos habituais da vida.
Será necessário despender força e diligência para reparar os estragos que a sua intemperança causou. Inúmeros pedidos de desculpas deverão ser formulados, dentre diversas outras reparações que se façam indispensáveis.
Muitas sensibilidades podem ser afetadas por sua rudeza, pondo a perder amizades e simpatias preciosas. Se o desequilíbrio for um hábito em sua vida, tanto pior.
Afinal, todos tendem a ser menos compreensivos com alguém que adota de forma costumeira condutas deselegantes. Entretanto, você pode escolher pairar acima de desgostos e inquietações, mantendo tranqüilidade e bom ânimo.
Sua mensagem de otimismo e renovação também prosseguirá adiante, espalhando bênçãos e paz. A energia positiva que você espalha, angaria em seu favor simpatia e cooperação.
Os estados negativos da mente, como tristeza e azedume, angústia e inconformidade, constituem sombras que o entendimento e a bondade são chamados a dissipar.
Talvez o esforço silencioso para domar o próprio mau gênio não chame a atenção de ninguém. Isso pode frustrar, de algum modo, eventual expectativa de parecer virtuoso aos olhos alheios.
Mais importante do que parecer é ser.
Constitui equívoco evidente a idéia de que a caridade se resume em esmolas, de preferência visíveis a terceiros. Isso não passa, na maioria das vezes, de manifestação de um psiquismo desequilibrado, de um ego inflado.
Por certo, a caridade material é valiosa, mas o móvel de quem deseja fazer o bem deve ser o de auxiliar o próximo, e não o de brilhar.
Sob esse enfoque, avulta de importância o esforço em colaborar para a paz do mundo, mediante uma vontade firme, aplicada no domínio dos próprios desequilíbrios.
Os homens sofrem muito mais pelo contato recíproco com os vícios de seus semelhantes do que com as condições materiais do planeta que habitam.
Fossem todos generosos, compreensivos, pacíficos e honestos e a Terra logo se converteria em um paraíso.
Em um mundo carente de paz, todos são chamados a colaborar para o equilíbrio geral.
Assim, a benefício coletivo, evitemos solenizar obstáculos e conflitos, aflições ou desencantamentos que nos surpreendem a marcha.
Permaneçamos sempre conscientes de que a única fórmula para o exercício dessa elementar beneficência da paz é esquecer o mal e fazer o bem.
Na verdade, somente a criatura consagrada a trabalhar, servindo ao próximo, não dispõe de recursos para entediar-se e nem encontra tempo para ser infeliz.
Pensemos nisso.
1. OBJETIVOS
- Levar as crianças a compreenderem que o que une uma família são os laços de amor e não os de sangue.
- Um lar é feito de amor, indiferente de ser uma mansão ou um barraco.
- Todos devemos colaborar em nosso lar: ajudando os pais e os irmãos, mantendo o ambiente feliz e saudável e aceitando a maneira de ser de cada um.
2. SUBSÍDIOS
- O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec
Capítulo XIV – Honra teu Pai e tua Mãe
- O Livro dos Espíritos
Allan Kardec
Livro Terceiro – Leis Morais
Capítulo IV – Lei da Reprodução
- 52 Lições do Catecismo Espírita
Eliseu Rigonatti
33ª Lição
Obs: Ao utilizar a literatura espírita não esquecer que o objetivo do nosso trabalho é passar o evangelho e a moral cristã para todas as religiões. Dessa forma, não devemos citar conceitos espíritas, respeitando a opção religiosa de todos os nossos evangelizandos.
3. DESENVOLVIMENTO – HISTÓRIA – “DONA PATA CHOCA E A GALINHA CARIJÓ”
Dona Pata Choca e Dona Galinha Carijó estavam chocando seus ovos, muito felizes, porque em breve seriam mamães.
Um dia foram fazer um passeio e deixaram o ninho sozinho. Aconteceu que o Raposo “Engana a Todos” decidiu fazer uma brincadeira com elas. Sabe o que foi? Trocou os ovos.
Quando nasceram os filhos da Dona Galinha Carijó, ela ficou muito contente e logo foi contar a Dona Pata Choca:
- Sabe vizinha, meus pintinhos já nasceram. E são sete.
- Parabéns, disse Dona Pata Choca. – Em breve eu também terei novidades.
E o tempo foi passando.
Um dia Dona Galinha Carijó arrumou seus filhos para fazerem um passeio um piquenique no lago.
Quando eles passaram pela casa de Dona Pata Choca, viram que ela estava na porta com sua ninhada. Mal avistou a vizinha e foi logo dizendo:
- Olhe Dona Galinha Carijó, meus pintinhos já nasceram.
- Parabéns. Respondeu Dona Galinha. E virando-se para os seus filhos, ensinou:
- Cumprimentem pintinhos, digam piu-piu.
Mas em vez de dizer piu-piu, eles disseram quá-quá.
Dona Galinha Carijó ficou muito admirada dos seus filhotes falarem outra fala e pensou: “Parece mentira, mas não entendo a fala dessas crianças!”
Dona Pata Choca olhou para os filhos de Dona Galinha Carijó e achou que eles eram muito mais bonitinhos que seus filhotes. Depois pensou: “Embora os filhos de Dona Galinha Carijó sejam lindos, com suas patinhas curtas e seus biquinhos arredondados, os meus também são lindos. O que acho estranho é o pezinho.”
E Dona Pata Choca foi logo aprontando os seus filhos:
- Bem filhos, aprontem-se para ir ao lago. Vocês vão ver que maravilha é nadar ou ficar boiando na água.
- Vamos, vamos – responderam todos. Mas em vez de dizerem o alegre quá-quá, adivinhem, disseram piu-piu.
- Vejam, pensou Dona Pata Choca – essas crianças de hoje. Vivem imitando os outros!
E seguiram para o lago. Os patinhos, desde cedo devem ser marinheiros.
E quando iam chegando ao lago, Dona Pata Choca ouviu os gritos:
- Socorro, socorro. Dona Pata Choca ouviu a voz de Dona Galinha Carijó e saiu correndo para ajudar. Dona Galinha estava fora da água assustada, enquanto seus filhos nadavam e brincavam tranqüilamente no lago, fazendo uma festa enorme.
Dona Pata logo viu que não havia perigo. Entrou no lado e trouxe as sete bolinhas amarelas para a margem dizendo:
- Que feio! Vocês não estão ouvindo sua mamãe chamar assustada?
E para acalmar a vizinha disse-lhe:
- Não se assuste, Dona Galinha Carijó, as crianças estavam apenas brincando. Parece até a minha ninhada. Era bem assim. E suspirou com saudade dos filhos que já haviam ido embora.
- Agora você vai ver os meus filhos como sabem nadar.
- Vamos, criançada, vamos todos nadar.
Mas seus filhos não tinham coragem de entrar na água e ficaram chorando na margem: piu-piu, piu.
Dona Pata Choca estava envergonhada e ia empurrando os seus filhos para o lago, quando ouviu os gritos do Raposo Engana a Todos que chegava correndo:
- Espere, espere… gritava. Não obrigue as crianças a nadar. Não são seus filhos… São da Dona Galinha Carijó. Eu troquei os ovos por brincadeira, estou arrependido.
- Dona Pata Choca olhou espantada àqueles que julgava serem seus filhos. Por isso que tinham medo de água, que faziam piu-piu em vez de quá-quá.
- Dona Galinha Carijó olhou chorosa para as sete bolinhas que a acompanhavam:
- Ah, era por isso que não tiveram medo da água.
- Que brincadeira de mau gosto!
O Raposo Engana a Todos estava mesmo arrependido.
- Sim… disse o raposo. Foi uma brincadeira perigosa. Eu não sabia o que estava fazendo. Nunca mais vou brincar assim. E agora, o que vou fazer?
- Mas Dona Galinha queria muito bem as sete bolinhas amarelas e Dona Pata Choca também gostava muito dos filhos que faziam piu-piu. Então resolveram não se separar deles.
- Então combinaram morar numa mesma casa e ficaram muito contentes, e as crianças aprenderam a amar as duas mães, que gostavam muito deles.
5. SUGESTÕES
1. Utilizar cartazes, teatro de varetas, fantoches ou varal seriado.
2. Fazer um Você Decide no final da história: O que as mães devem fazer?
Devem trocar os filhos ou não?
Devem perdoar a raposa?
Levar um papel para o voto e um saco de urna.
3. Fazer perguntas sobre a história. Ressaltar que o lar é formado pelo amor que une os integrantes e não pelos laços de sangue.
1. SUBSÍDIOS
- O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec
- O Livro dos Espíritos
Livro Terceiro – Capítulo IX – Lei da Igualdade
Obs: Ao utilizar a literatura espírita não esquecer que o objetivo do nosso trabalho é passar o evangelho e a moral cristã para todas as religiões, dessa forma não devemos citar conceitos espíritas, respeitando a opção religiosa de todos os nossos evangelizados.
2. DESENVOLVIMENTO – “O SAPO E A COBRA” – LENDA AFRICANA
Esta fábula do folclore africano faz-nos refletir sobre como o mundo seria melhor sem os preconceitos que afastam as pessoas.
Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido deitado no caminho.
- Olá! O que você está fazendo estirada na estrada?
- Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha e você?
- Um sapo. Vamos brincar?
E eles brincaram a manhã toda no mato.
- Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando sobre o tronco - disse a cobra..
E eles subiram.
Ficaram com fome e foram embora, cada um para a sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.
- Obrigada por me ensinar a pular.
- Obrigado por me ensinar a subir na árvore.
Em casa o sapinho mostrou para a sua mãe que sabia rastejar.
- Quem ensinou isso a você?
- A cobra minha amiga.
- Você não sabe que a família da cobra não é gente boa? Eles têm veneno.
Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem.
Em casa a cobrinha mostrou a mãe que sabia pular.
- Quem ensinou isso a você?
- O sapo meu amigo.
- Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família do
sapo e…bom apetite! E para de pular. Nós cobras não fazemos isso.
No dia seguinte cada um ficou no seu canto.
- Acho que não posso rastejar com você hoje – pensou o sapo.
A cobrinha olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: “Se chegar perto, eu pulo e o devoro”.
Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato.
Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficaram sempre no sol, pensando no único dia em que foram amigos…
3. SUGESTÕES
1. Utilizar o flanelógrafo, cartazes, marionetes.
2. Explicar as crianças o que uma Lenda, uma Fábula.
3. Fazer perguntas sobre o entendimento da História
4. Explicar que todos somos filhos de um mesmo Deus, portanto somos irmãos. Deus não vê as diferenças de classe, cor e sexo. Essas diferenças foram criadas por homens egoístas que se achavam melhores que os outros. Eles não entendiam o significado da palavra Irmãos e da Igualdade.
5. Para fixação pode-se fazer dobraduras, cobras de meia, utilizar argila para modelagem.
Objetivo informativo: Informar a criança que a lei de reprodução é uma lei natural, ou seja, uma lei de Deus, que serve para dar continuidade à vida na Terra.
Objetivo formativo: Levar a criança a compreender a necessidade da reprodução das espécies para sua evolução.
Desenvolvimento: Se o homem das cavernas não tivesse se interessado em trabalhar (construir instrumentos para caça, vestimenta, plantio, formado famílias...) como seríamos hoje?
Continuaríamos primitivos, como nos velhos tempos.
Mas hoje as coisas não são assim, o que vocês sabem que progrediu daquela época para os dias de hoje?
Existem duas formas que devemos progredir, vocês se lembram?
Uma é a inteligência e a outra é o sentimento.
*De que maneira podemos progredir em inteligência?
*De que maneira podemos progredir em sentimentos?
Levar todos a um zoológico (imaginário) entregar uma folha em branco e lápis, pedir que desenhem um animal, ir a um jardim botânico (imaginário) e desenhar uma planta.
No início da humanidade existiam plantas?
E animais? E hoje, continuam existindo plantas e animais?
Há quanto tempo será que cada espécie de animal que vocês desenharam existe?
E como é que estas espécies ainda existem até hoje? (Conduzir a resposta para que seja pela reprodução)
Deus, quando criou este planeta e todos os seres vivos que existem, ele criou tb. uma Lei para que estes seres vivos pudessem se multiplicar e não acabarem. È a Lei de Reprodução.
O que é preciso para que estes animais que vcs. desenharam continuem existindo na Terra?
E as plantas? (macho e fêmea)
*O que é preciso para que nós seres humanos continuemos existindo na Terra? (homem e mulher).
*Se não fosse a Lei da Reprodução, não existiria mais vida na Terra.
Como é que iríamos reencarnar se não existissem mais seres humanos? (mostrar figuras de plantas e animais primitivos).
Antes os animais e as plantas também eram muito grosseiros, gigantes. Hoje existem animais e plantas Tb, porém mais delicados.
O mesmo aconteceu com o homem, (mostrar figura homem primitivo e atual).
*Qual a melhor fase vcs acham: a primitiva ou a atual?
Graças a Lei de Reprodução, houve a evolução das espécies.
REFLEXÃO: O mais importante ainda, não é apenas reencarnar, mas saber como viver em família, para evoluirmos. Sempre que pudermos agir com educação, respeito, companheirismo, ajuda mútua, estaremos ajudando a tornar nosso lar em um lar de amor.
Avaliação: Recorte de plantas, animais e homem e fazer um painel com o título: Lei de Reprodução.
MOTIVAÇÃO: Perguntar às crianças se já inventaram alguma coisa (brinquedo, brincadeira). Por que sentiu essa necessidade e se foi bom para si e para os colegas.
DESENVOLVIMENTO: Enumerar algumas invenções tais como: telefone, computador, armas, lâmpada, geladeira, fogão à gás, televisão, carro, metrô, avião, etc. Falar um pouco sobre as vantagens e desvantagens. Poderão ser usados cartazes, fotos, desenhos, etc.,
AVALIAÇÃO: Destacar as invenções que trouxeram progresso para a humanidade, comentando que apesar dele, ainda existe muita miséria, violência, guerras, crimes, etc., contrariando os ensinamentos de Jesus, que pregava a igualdade, amor ao próximo e fidelidade.
FIXAÇÃO: Desenhar ou montar com sucata uma invenção que trouxe progresso para a humanidade.
O Espírita deve ser verdadeiro, mas não agressivo, manejando a verdade a ponto de convertê-la em tacape na pele dos semelhantes.
Bom, mas não displicente que chegue a favorecer a força do mal, sob o pretexto de cultivar a ternura.
Generoso, mas não perdulário que abrace a prodigalidade excessiva, sufocando as possibilidades de trabalho que despontam nos outros.
Doce, mas não tão doce que atinja a dúbia melifluidade, incapaz de assumir determinados compromissos na hora da decisão.
Justo, mas não implacável, em nome da justiça, impedindo a recuperação dos que caem e sofrem.
Claro, mas não desabrido, dando a ideia de eleger-se em fiscal de consciências alheias.
Franco, mas não insolente, ferindo os outros.
Paciente, mas não irresponsável, adotando negligência em nome da gentileza.
Tolerante, mas não indiferente, aplaudindo o erro deliberado em benefício da sombra.
Calmo, mas não tão sossegado que se afogue em preguiça.
Confiante, mas não fanático que se abstenha do raciocínio.
Persistente, mas não teimoso, viciando-se em rebelar-se.
Diligente, mas não precipitado, destruindo a si próprio.
“Conhece-te a ti mesmo” — diz a filosofia, e para conhecer a nós mesmos, é necessário escolher atitude e posição de equilíbrio, seja na emotividade ou no pensamento, na palavra ou na ação, porque, efetivamente, o equilíbrio nunca é demais.
André Luiz (Waldo Vieira)(De “Opinião Espírita”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos espíritos Emmanuel e André Luiz)




PENSAMENTOS
"Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo. "( Mahatma Gandhi )
"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."( Albert Einstein )"
Se você quer transformar o mundo, mexa primeiro em seu interior."( Dalai Lama )
"Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia. "( William Shakespeare )
"É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos."( Antoine de Saint Exupéry )
"O coração tem razões que a própria razão desconhece. "( Blaise Pascal )
"Examina bem os teus pensamentos, e se os vires puros, puro será também o teucoração.” ( Confúcio )
Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.
Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela
Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.
O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.
A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido aí o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.
Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado no filme hollywoodiano “A Paixão de Cristo”, segundo Mel Gibson –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.
No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo separará justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.
Mas, como explicar então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra.
Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última – lição de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe.
Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que O imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por Ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.
Por Marcelo Henrique
Texto presente nos sites Terra Espiritual e FEAL.
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