sexta-feira, 8 de julho de 2011

TELEFONE MEDIÚNICO



Uns não acreditam nas comunicações dos espíritos, outros acreditam demais e querem obtê-las com a facilidade de uma ligação telefônica. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra! Se as comunicações entre as criaturas terrenas nem sempre são fáceis, que dizer das que se processam entre os espíritos e os homens? Muita gente procura o médium como se ele fosse uma espécie de cabina telefônica. Mas nem sempre o circuito está livre e muitas vezes o espírito chamado não pode atender.

Não há dúvida que estamos na época profetizada por Joel, em que as manifestações se intensificam por toda parte. Nem todos os espíritos, porém, estão em condições de comunicar-se com facilidade. Além desazo, a manifestação solicitada pode ser inconveniente no momento, tanto para o espírito quanto para o encarnado.

A morte é um fenômeno psicobiológico que ocorre de várias maneiras de acordo com as condições ídeo-emotivas de cada caso, envolvendo o que parte e os que ficam. A questão 155 de O Livro dos Espíritos explica de maneira clara a complexidade do processo de desencarnação. Alguns espíritos se libertam rapidamente do corpo, outros demoram a fazê-lo e isso retarda a sua possibilidade de comunicar-se.

Devemos lembrar ainda que os espíritos são criaturas livres e conscientes. Não estão ao sabor dos nossos caprichos e nenhum médium ou diretor de sessões tem o poder de fazê-los atender aos nossos chamados. Quando querem manifestar-se, eles o fazem espontaneamente, e não raro de maneira inesperada. Enganam-se os que pensam que podem dominá-los. Já ensinava Jesus, como vemos nos Evangelhos: o espírito sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem nem para onde vai.

É natural que os familiares aflitos procurem obter a comunicação de um ente querido. Mas convém que se lembrem da necessidade de respeitar as leis que regem as condições do espírito na vida e na morte. O intercâmbio mediúnico é um ato de amor que só deve realizar-se quando conveniente para os dois lados. O Espiritismo nos ensina a respeitar a morte como respeitamos a vida, confiando nos desígnios de Deus. Só a misericórdia divina pode regular o diálogo entre os vivos da Terra e os vivos do Além. Façamos nossas preces em favor dos que partiram e esperemos em Deus a graça do reencontro que só Ele nos pode conceder.

Muitos religiosos condenam as comunicações mediúnicas, alegando que elas violam o mistério da morte e perturbam o repouso dos mortos. Esquecem-se de que os próprios espíritos de pessoas falecidas procuram comunicar-se com os vivos. Foi dessa procura de comunicação dos mortos, tão insistente no mundo inteiro, que se iniciaram de maneira natural as relações mediúnicas entre o mundo visível e o invisível. O conceito errôneo da morte, como aniquilamento ou transformação total da criatura humana, gera e sustenta essas formas de superstição. O Espiritismo, revivendo os fundamentos esquecidos do Cristianismo puro, mostra-nos que a comunicação mediúnica é lei da vida a nos libertar de erros e temores supersticiosos do passado.



por Irmão Saulo




A CURA PELA FÉ

“Fé é a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, a certeza de atingir um objetivo”

Kardec, ESE: XIX

Mesmo não cristãos não deixam de se referir à expressão “a fé remove montanhas”, quando querem se referir à obstinação de alguém que queira atingir determinado objetivo.

Já os verdadeiros cristãos sabem que a expressão vem do texto de Mateus, cap. XVII, v.14 a 19, se referindo ao episódio em que Jesus ouve de um pai aflito que seu filho está atormentado, e que apresentado aos discípulos do Mestre, não o puderam curá-lo. Jesus manda para trazê-lo, e ameaçando o demônio este se retirou curando o menino.

Os discípulos procuraram Jesus mais tarde e Lhe indagaram “porque não pudemos expulsar esse demônio? Jesus lhes respondeu: por causa de vossa incredulidade, pois em verdade vos digo :se tiverdes a fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível”.

Os estudos sobre o poder da fé vão encontrar na sua forma mais simples no capítulo XIX do Evangelho Segundo o Espiritismo, como lição magistral de Kardec a todos cristãos para que tenham fé inabalável nas palavras do Mestre.
Importante distinguir a fé raciocinada da fé cega, pois a fé cega pode nos levar a aceitar o falso pelo verdadeiro, pois nada examinando é levada ao fanatismo. E por falta de convicção e baseada em erro, cedo ou tarde ela será destruída e aí surge a decepção.

A fé raciocinada é a que tem por base a verdade, assentada em garantia de futuro promissor, onde se realizarão os desejos que cada um anseia alcançar na graça da Divina Providência. Ela se apóia nos fatos e na lógica, não deixa se influenciar por nenhuma obscuridade. E Kardec nos diz “não existe fé inabalável, senão aquela que pode olhar a razão face a face, em todas as eras da humanidade”. (Revista Espírita, 1867, pg. 41)

Vamos buscar algumas afirmativas de espíritos iluminados e evoluídos:
“Fé é a força que sustenta o espírito na vanguarda do combate pela vitória da luz divina e do amor universal” (No mundo Maior, André Luiz)

“Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza de que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade” (O Consolador, Emmanuel, q. 354)

“... A fé só foi compreendida, até o presente, no seu sentido religioso porque o Cristo a revelou como poderosa alavanca, e porque Nele só viram um chefe de religião” (Kardec, ESE, XIX)

E como abordar a cura pela fé?

Simplesmente buscando nessas afirmativas sobre a fé a vontade de se ver curado, a vontade de receber do Divino Mestre o lenitivo para os males do corpo. Mas que não se leve à conta de milagre, pois a cura espiritual também está ligada ao valor do mérito de cada um, subordinada a um momento muito especial que trazemos da espiritualidade como recompensa pelas obras que conseguimos juntar a nosso favor.

“Na obra Entre o Céu e o Inferno o espírito André Luiz transmite a seguinte explicação, que recebeu de Clarêncio:”. Na obra assistencial dos espíritos amigos que interferem nos tecidos sutis da alma, é possível, quando a criatura se desprende parcialmente da carne, a realização de maravilhas. Atuando nos centros de força do períspirito, por vezes efetuamos alterações profundas na saúde dos pacientes, alterações essas que fixam no corpo somático de maneira gradativa. Grandes males são assim corrigidos, enormes renovações são assim realizadas, mormente quando encontramos o serviço da prece na mente enriquecida pela fé transformadora, facilitando-nos a intervenção pela passividade construtiva do campo em que devemos operar; a tarefa de socorro realiza verdadeiros milagres”.

Desejo agora descrever, sucintamente, um episódio de que participei no ano de 1957, em São Paulo, integrando um grupo de trabalhadores espirituais formado no seio da minha família.

Participava um amigo muito querido que veio a ter um problema muito grave de gangrena e que deveria ser operado para amputar parte do pé. Estava internado no Hospital Leão XIII. no Ipiranga, e na noite anterior fomos ao seu quarto para rogarmos a magnitude e bondade de Jesus em favor do nosso querido irmão.
Éramos cinco médiuns e ele próprio também médium. Ao chegarmos ele nos informou que havia escrito uma carta ao médico cirurgião rogando que antes de levá-lo para a mesa cirúrgica, tornasse a examiná-lo, pois acreditava e tinha fé no poder Divino.

Eu mesmo fechei a porta com chave ao ser dado o sinal de encerramento das visitas, e nos colocamos ao redor da cama formando uma corrente de caridade e preces. Enquanto orávamos o Pai Nosso a porta se abriu e uma freira nos disse que como orávamos pedindo a Jesus pelo paciente, poderíamos permanecer e voltei a trancar a porta.

Concentrados sentimos a ação benéfica de mentores espirituais e Tia Amélia, vidente, ia nos descrevendo o que se passava. Espíritos de médicos desencarnados trabalhavam na zona necrosada, removendo (do períspirito) a gangrena e fazendo circular o sangue limpo.

Durante mais ou menos uma hora e pouco ali permanecemos em preces e rogativas ao Alto, elevando o nosso pensamento a Deus com muita fé e convicção na ação espiritual em favor do nosso amigo e irmão. Ao final agradecemos a Deus a oportunidade que nos foi dada de poder nos reunir procurando praticar a caridade em favor de alguém que padecia de um mal do corpo, e se fosse esse o desejo de Deus, que os amigos espirituais pudessem ter êxito no trabalho que realizavam.

No dia seguinte o médico atendeu ao pedido, e leu a carta. Resolveu fazer o exame solicitado e qual não foi a sua surpresa ao verificar que a cirurgia se tornara desnecessária pela melhora acentuada resultante da aplicação dos remédios prescritos.

A nós coube, naquela mesma noite, nos reunirmos e agradecer a Deus pelos instantes venturosos que vivêramos no atendimento fraterno.

A fé remove ou não remove montanhas? Claro que sim, se entendermos que como sempre Jesus nos mostrou Suas lições de forma figurada, e nesse caso a montanha era a moléstia que acometeu o nosso amigo.

A nossa fé removeu a montanha e demos graças a Deus.


retirado do site kardec on line

quinta-feira, 7 de julho de 2011


Carma de Solidão

Livro: Viver é amar
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco


Caminhas, na Terra, experimentando carência afetiva e aflição, que acreditas não ter como superar.

Sorris, e tens a impressão de que é um esgar que te sulca a face.

Anelas por afetos e constatas que a ninguém inspiras amor, atormentando-te, não poucas vezes, e resvalando na melancolia injustificável.

Planejas a felicidade e lutas por consegui-la, todavia, descobre-te a sós, carpindo rude angústia interior.

Gostarias de um lar em festa, abençoado por filhos ditosos e um amor dedicado que te coroassem a existência com os louros da felicidade.

Sofres e consideras-te desditoso.

Ignoras, no entanto, o que se passa com os outros, aqueles que se te apresentam felizes, que desfilam nos carros do aparente triunfo, sorridentes e engalanados.

Também eles experimentam necessidades urgentes, em outras áreas, não menos afligentes que as tuas.

Se os pudesses auscultar, perceberias como te invejam alguns daqueles cuja felicidade cobiças...

A vida, na Terra, é feita de muitos paradoxos. E isto se dá em razão de ser um planeta de provações, de experiências reeducativas, de expiações redentoras.

Assim, não desfaleças, porquanto este é o teu carma de solidão.

Faze, desse modo, uma pausa, nas tuas considerações pessimistas e muda de atitude mental, reintegrando-te na ação do bem.

O que ora te falta, malbarataste.

Perdeste, porque descuraste enquanto possuías, o de que agora tens necessidade.

A invigilância levou-te ao abuso, e delinqüiste contra o amor.

A tua consciência espiritual sabe que necessitas de expungir e de reparar, o que te leva, nas vezes em que o júbilo te visita, a retornar à tristeza, rememorar sofrimentos, fugindo para a tua solidão...

Além disso, é muito provável que, aqueles a quem magoaste, não se havendo recuperado, busquem-te, psiquicamente, assim te afligindo.

Reage com otimismo à situação e enriquece-te de propósitos superiores, que deves pôr em execução.

Ama, sem aguardar resposta.

Serve, sem pensar em recompensa.

O que ora faças no Bem, atenuará, liberará o que realizaste equivocadamente e, assim, reencontrar-te-ás com o amor, em nome dAquele que permanece até agora entre nós como sendo o Amor não amado, porém, amoroso de sempre.


A OUTRA FACE



Considerando-se o estágio moral em que transitam incontáveis criaturas humanas pelos caminhos do planeta terrestre, ainda vivenciando os instintos agressivos, é compreensível que os relacionamentos nem sempre se realizem de maneira pacífica.

Predominando a natureza animal em detrimento da espiritual, o orgulho se arma de mecanismos de defesa, resultantes da prepotência e da argúcia, para reagir ante os acontecimentos ameaçadores ou que sejam interpretados como tais...

A ação decorrente do raciocínio e da lógica cede lugar aos impulsos agressivos, e estabelecem-se os conflitos quando deveriam vicejar entendimentos e compreensão.

Em razão da fase mais primitiva que racional, qualquer ocorrência desagradável assume proporções inadequadas, que não se justificam, porque os recursos morais da bondade sucumbem ante a cólera que se instala e leva à alucinação.

De certa maneira, remanescendo os comportamentos arbitrários de existências pregressas que não foram domados, facilmente a ira rompe o envoltório delicado da gentileza e acontecem os lamentáveis atritos, que devem e podem ser evitados.

A educação equivocada, que estimula o forte à governança, ao destaque, contribui para que a mansidão e a humildade sejam deixados à margem, catalogadas como fraqueza do caráter e debilidade moral.

O território no qual cada indivíduo se movimenta, após apropriar-se, é defendido com violência, como se a posse tivesse duração infinita, o que constitui lamentável equívoco.

Essa debilidade do sentimento se manifesta na conduta convencional do ser humano que opta por ser temido,quando a finalidade da sua existência é tornar-se amado.

Multiplicam-se, indefinidamente, as pugnas, que passam de uma para outra existência até que as Soberanas Leis imponham a submissão e o reequilíbrio através de expiações afligentes.

A lei é de progresso e, por consequência, a todos cabe o esforço de libertação das heranças enfermiças, dos hábitos primitivos, experienciando conquistas íntimas que se irão acumulando na estrutura emocional que se apresentará em forma de paz e de concórdia.

O conhecimento espírita, porque iluminativo, é o mais eficiente para a edificação moral, defluente da conscientização de que o avanço é inevitável e a repetição das atitudes infelizes constitui estagnação e fracasso...

As dificuldades, portanto, as diferenças de opinião, os insultos e agravamentos devem ser considerados como experimentos, como testes ao aprimoramento espiritual, ao aprendizado das novas condutas exaradas no Evangelho de Jesus.

Quando isso não ocorre, fica-se sujeito à influência maléfica dos Espíritos inferiores que se comprazem em gerar situações embaraçosas, responsáveis por essas condutas lamentáveis.

Indispensável vigiar-se as nascentes do coração, a fim de dominar-se a ira, esta fagulha elétrica responsável por incêndios emocionais de resultados danosos.

Considere-se, ademais, a ocorrência de uma parada cardíaca, de um acidente vascular cerebral de consequências irreversíveis, não programados, mas que sucedem somente por falta de controle emocional, provocados pela raiva...

Aprende a dominar os impulsos da ira, porque a existência terrestre não é uma viagem deliciosa ao país róseo da alegria sem fim...

Esforça-te por compreender o outro lado, a forma como os outros encaram as mesmas ocorrências...

Luta por vencer a arrogância, porque todos os Espíritos que anelam pela paz, pela vitória das paixões têm, como primeiro desafio, a superação dos sentimentos inferiores, aqueles que devem ser substituídos pelos de natureza dignificante.

Se alguém te aflige, é porque se encontra necessitado de ajuda e não de combate, é a sua forma de chamar a atenção para a sua solidão e angústia.

Fogo com fogo aumenta o incêndio devorador.

Treina colocar no braseiro a água da paz e se apagarão as labaredas ameaçadoras.

Não foi por outra razão,. que Jesus propôs: Não resistais ao homem mau, mas a qualquer que vos bater na face direita, oferecei-lhe também a outra, conforme anotou Mateus, no capítulo 5, versículo 39 do seu Evangelho.

Esbordoado, no Pretório, Ele exemplificou o ensinamento verbal, não reagindo às agressões, quando os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na sobre sua cabeça... mantendo-se em silêncio...

Oferecer a outra face é mais do que expor o lado contrário, a fim de sofrer nova investida da perversidade.

Trata-se da face moral, nobre, que se encontra oculta, aquela rica de sentimentos elevados que distingue uma de outra criatura.

Ninguém é o que apresenta exteriormente, tanto existem conteúdos cruéis ocultos pela educação, pela dissimulação e hipocrisia, como sentimentos relevantes e bons.

Ao seres alcançado por qualquer ocorrência desagradável que te golpeie a emoção, ferindo-te a delicadeza das reservas íntimas, ao invés de reagires, desvela a outra face, a do amor, da compaixão, da misericórdia, agindo com serenidade.

A outra face é o anjo adormecido nas paisagens luminescentes do teu mundo interior.

Ali possuis tesouros de amizade e de ternura que desconheces.

Com essa, a brutal, a reagente, a defensiva, já estás identificado, devendo encontrar-te cansado de vivenciá-la.

Imerge, desse modo, no rio de águas silenciosas do teu mundo íntimo e refresca-te com o seu contributo. Logo depois, deixa que os tesouros do amor do Pai que se encontram adormecidos, fluam suavemente e se incorporem aos conteúdos habituais, substituindo-os ao longo do tempo e predominando por fim.

À medida que tal aconteça, renascerás dos escombros como a Fênix da mitologia, que se renovava e renascia das cinzas que a consumiam.

O bem é a meta que todos devemos alcançar.

Não te permitas, portanto, perturbar, pelas emoções doentias e viciosas que te consomem, destruindo as tuas mais caras realizações espirituais,.

És responsável pelos teus atos, qual semeador que avança, seara adentro, atirando os grãos que irão germinar com o tempo,

Certamente muitos se perderão, outros, no entanto, produzirão multiplicadamente, ensejando colheita superior ao volume ensementado.

Necessário cuidar do tipo das sementes que serão distribuídas pelas tuas mãos.

Semeia bondade e colherás alegria de viver, nunca revidando mal por mal.

Uma faísca, um raio que atinja um depósito de combustível e logo se apresentará a destruição.

Controla-os, na corrente das tuas reflexões, gerando a disciplina da contenção da sua carga poderosa de energia, canalizando-a para os labores enobrecidos que te exornam a luta, as conquistas já logradas que te honorificam.

A outra face encontra-se coberta por camadas de experiências desastrosas.

Retira esse lixo mental e permite que se apresente irisada de sol espiritual a outra face, para que o amor real seja a marca do teu comportamento em qualquer circunstância ou ocorrência difícil.



pelo Espírito Joanna de Ângelis




Ser transparente


Às vezes, nos perguntamos por que é tão difícil ser transparente.
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero e não enganar os outros. No entanto, é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que sentimos. É desnudar a alma, deixar cair as máscaras e baixar as armas.
É destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em levantar e permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche e transborde.
Infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam da profundeza do nosso ser.
Preferimos nos perder na busca insensata por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante de Deus e admitir que não sabemos todas as respostas, que somos frágeis, que temos medo.
Por mais doloroso que seja construir uma máscara que nos distancia cada vez mais do que realmente somos e de Deus, preferimos manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção.
E vamos nos afogando mais e mais em atitudes, palavras e sentimentos que não condizem com o nosso verdadeiro eu.
Não porque sejamos pessoas falsas, mas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso.
Com o passar dos anos, um vazio escuro nos faz perceber que já não sabemos oferecer e nem pedir aos que nos cercam o que de mais precioso temos a compartilhar: a doçura, a compaixão e a compreensão.
Muitas vezes sofremos e nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos sozinhos, num silêncio que nos remete à saudade de nós mesmos.
Saudade daquilo que pulsa e grita dentro de nós e que não temos coragem de mostrar àqueles que nos querem bem e que nos amam.
Aprendemos que nos mostrar com transparência é sinal de fraqueza, é ser menos do que o outro. Na verdade, se agíssemos deixando que a nossa razão ouvisse o nosso coração, poderíamos evitar muita dor.
* * *
Quando formos surpreendidos pelo sofrimento de qualquer natureza, lembremos primeiramente de Deus, Pai amoroso, que nunca desampara um filho Seu. Fortaleçamo-nos na prece e na fé que conforta e acalma.
Ao partilhar as dores com os nossos afetos, tenhamos a certeza que elas serão abrandadas, pois dividir as angústias, medos e aflições, as torna menores.
Quando partilharmos as alegrias, estaremos fazendo felizes também aqueles a quem estimamos, pois a alegria dos amigos é nossa também.
Expor a nossa fragilidade aos amigos e amores jamais será sinal de fraqueza.
Procuremos, pois, de forma equilibrada, não prender tanto o choro, não conter a demonstração da alegria, não esconder tanto o nosso medo e nossas aflições. Enfim, abandonemos essa ideia de desejarmos parecer tão invencíveis.


Redação do Momento Espírita



Nada acontece por acaso!


O que não mata, engorda! Esse trocadilho continua sendo uma grande verdade, sabia? Tudo o que acontece ou aconteceu com você até agora, só foi para ter fortalecer.

Hoje você é uma pessoa muito mais preparada, mais forte, mais linda... mais gente! Parabéns por ter chegado até aqui! Valeu ter passado por tudo o que passou, não valeu?

Por isso, queira aprender sempre. Deseje crescer sempre, tá? E viva intensamente tudo o que estiver por vir, especialmente aqueles desafios que julga não ser capaz de enfrentar sozinho. Agarre o touro à unha. Nunca fuja dos compromissos! A vida judia mas também ensina!

Não importa como sejam estranhas, difíceis ou doloridas as experiências impostas a você. Tudo tem um um bom propósito, uma boa intenção, um ensinamento, uma lição. É melhor e mais inteligente pensar assim do que ficar lamentando, tá? Procure entender qual é o propósito daquilo que está acontecendo.

Tente ver a mão de Deus em tudo! Tente aceitar que nada acontece por acaso! Continue dando chance à vida, continue dando chance a Deus!

Dê um comando pra você mesmo: estou atraindo sempre o que há de melhor, sempre! E nunca mais culpe o ambiente e nem as pessoas que o cercam, pelos fracassos e erros, ok?


"O amor cresce quando se dá. O amor que você dá é o único que guarda consigo.
Portanto, a única forma de conservar o amor junto de você é dá-lo a outras pessoas"

Mensagem de Luis Carlos Mazzini



MORRER É PRECISO



Num artigo muito interessante, Paulo Angelim, que é arquiteto, pós-graduado em Marketing, dizia mais ou menos o seguinte:

"Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro.
Existem outros tipos de morte e precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.
Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio!
A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo.
É a fronteira entre o passado e o futuro. "

Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente.

Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só suficiente para fazer as provas.

Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.

Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.

E, qual o risco de não agirmos assim?

O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser.

Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam.

Acabam se transformando em projetos acabados, híbridos, adultos "infantilizados".

Precisamos manter as virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como:
brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc.

Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser ?

Pense nisso e morra!
Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem".

Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Fernando Pessoa)


terça-feira, 5 de julho de 2011


O balanço




Um balanço ao vento se move suavemente.

Não se vê chão, não se vê céu... Apenas um movimento ritmado para frente... para trás...

Juliana tem 13 anos e está feliz como nunca.

Mais forte, papai! - Diz ela, eufórica.

Naquele momento inesquecível, a paisagem se apaga para ela. Some em meio à alegria de estar com quem se ama.

Seu sorriso de criança encontra o ar leve, perfumado.

Seus ouvidos se deleitam com a voz tranquila do pai amado. Ela se sente segura, como nunca antes se sentira.

O balanço vai diminuindo o ritmo, e quando está prestes a parar ela percebe que o pai está diante do seu rosto.

Como ele é bonito... - ela pensa. Uma beleza especial, que está mais dentro do coração da filha, do que nos olhos do mundo.

Filha... Você precisa voltar. - Diz o homem ternamente.

Mas eu não quero, papai... - Responde ela com voz de cristal.

Eu sei, meu amor... Mas você precisa voltar.

Ela começa a chorar... O choro da brincadeira que acaba tão cedo. O choro da vontade de continuar ali.

A menina acorda em pranto.

Era um sonho! - Pensa ela. Mas parecia tão real...

Sente um aperto forte no peito e não consegue identificar o que é.

É a saudade... - Diz uma pequena voz em sua cabeça.

Sim, era a saudade do pai, do amor que havia partido quando tinha apenas 3 anos de idade.

Ela já havia sonhado com ele várias vezes, mas dessa vez foi inesquecível. Tão especial que, a partir desse dia, ela aprendeu a chamar aqueles sonhos de visitas.

Todo balanço que vê, ativa sua memória, acelera seu coração, pois faz lembrar de um grande amor que esteve na Terra com ela, durante pouco tempo, mas que ainda a visita sempre.

* * *

Por onde andam os amores que não mais estão aqui conosco?

Se aprendemos que o amor une ao invés de afastar, por que crer na distância da morte?

Sim, a morte não nos separa. Talvez um breve afastamento físico, mas nunca o afastamento das almas.

Os que nos amam continuam ao nosso lado, e se partiram antes, quase sempre se tornam companheiros anônimos e invisíveis dos nossos dias.

São eles, muitas vezes, que nos trazem as forças que precisamos para continuar, o carinho dos bons conselhos ou os puxões de orelha amorosos.

Em espírito nos acompanham, oram e vibram por nós, da mesma forma que fariam se estivessem ainda encarnados.

A morte não muda o amor. A distância não é impedimento para o carinho.

Eles estão mais perto do que imaginamos, e neste grande ir e vir do planeta, logo mais estaremos juntos uma vez mais.

Estaremos juntos lá, pois nunca sabemos quanto tempo ainda temos, ou mesmo aqui, lembrando que a reencarnação é uma das Leis maiores do Universo.



Redação do Momento Espírita
















Mágoa desnecessária



As relações humanas serão sempre
pautadas pela dificuldade que
trazemos na alma. E não poderia ser diferente.

Como somos seres em evolução,
muito ainda há que se construir
nas conquistas emocionais para que
o equilíbrio, a justiça e a retidão
sejam as ferramentas no relacionamento
humano.

Não é raro indivíduos que,
desgastados pelos embates humanos,
cansados das dificuldades de
relacionamento, alegam preferir
viver isolados do mundo, s
em a necessidade de suportar
a uns e aguentar a outros.

O raciocínio se torna quase que
natural, frente a tantos esforços
que temos que empreender,
tanta paciência a exercitar,
no trato com o semelhante.

E não são poucos aqueles que
se isolam do mundo.
Seja buscando uma vida de eremita,
fechando-se em seu lar ou isolando-se
em essa ou aquela instituição.
Esses buscam a paz que não
encontravam nas relações
sociais e familiares.

Muito embora assim o façam imbuídos,
por vezes, das mais nobres intenções,
esquecem-se de que, ao isolar-se,
ao fugir da sociedade, perdem a
grande chance do aprendizado
da convivência.

Somente nos atritos que vivemos
é que vamos encontrar a chance
do amadurecimento das experiências,
de crescer, de superar aos poucos os
próprios limites de interação social.

Somos todos indivíduos criados
para viver em conjunto e a vida
solitária somente nos causaria
graves sequelas à vida
emocional e psicológica.

É na experiência de viver com
os outros que a alma tem a possibilidade
de conhecer diversas formas
de aflições e exemplos inesquecíveis.

É natural que nossas relações não
sejam sempre pautadas pela harmonia.
São nossos valores íntimos
que determinam os entrechoques
que, não raro, vivenciamos,
ou os envolvimentos afetivos
de qualidade, que usufruímos.

Como ainda não nos acostumamos
a viver em estabilidade íntima
por longos períodos de tempo,
vez ou outra surgem dificuldades,
problemas, indisposições variadas
em nossos relacionamentos.

Pensando assim, pode-se concluir
o quanto é desnecessário e
improdutivo viver-se carregando
no íntimo mágoas e malquerenças.

Ninguém há no planeta que não
se aborreça quando recebe do outro
o que não gostaria de receber. No entanto,
não podemos esquecer que ninguém
também pode afirmar que, com seu
modo de falar, de ser e de agir,
não cause aborrecimentos e mágoas
a outras pessoas, ainda que involuntariamente.

Desta forma, cabe a cada um de nós
procurar resolver mal-entendidos,
chateações e mágoas com os recursos
disponíveis do diálogo, do entendimento,
da desculpa e do perdão. Afinal, se outros
nos magoam, de nossa parte também acabamos magoando a um e outro, algumas vezes.

Assim pensando, podemos concluir
ser uma grande perda de tempo e um sofrimento dispensável o armazenamento
de sentimentos como a mágoa
ou a raiva no coração.

Há tanto a se realizar de bom e de útil
a cada dia, e o tempo está tão apressado,
que perde totalmente o sentido
alimentarmos mágoa na alma,
qualquer que seja a intensidade.



Redação do Momento Espírita
A mais bela flor














O bosque estava quase deserto quando o
homem se sentou para ler, debaixo dos longos
ramosde um velho carvalho.

Estava desiludido da vida, com boas
razões para chorar, pois o mundo estava
tentando afundá-lo.

E, como se já não tivesse razões suficientes
para arruinar o seu dia, um garoto chegou,
ofegante, cansado de brincar.

Parou na sua frente, de cabeça baixa e disse,
cheio de alegria:
Veja o que encontrei!

O homem olhou desanimado e percebeu
que na sua mão havia uma flor.
Que visão lamentável! Pensou consigo mesmo.

A flor tinha as pétalas caídas, folhas murchas,
e certamente nenhum perfume.

Querendo ver-se livre do garoto e de sua flor,
o homem desiludido fingiu pálido sorriso e se
virou para o outro lado.

Mas, ao invés de recuar, o garoto sentou-se ao seu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:

O cheiro é ótimo, e é bonita também...

Por isso a peguei. Toma! É sua.

A flor estava morta ou morrendo,
nada de cores vibrantes como laranja,
amarelo ou vermelho, mas ele sabia
que tinha que pegá-la, ou o menino
jamais sairia dali.

Então estendeu a mão para pegá-la
e disse, um tanto contrafeito:

Era o que eu precisava.

Mas, ao invés de colocá-la na mão
do homem, ele a segurou no ar,
sem qualquer razão.

E, naquela hora, o homem notou,
pela primeira vez, que o garoto era cego
e que não podia ver o que tinha nas mãos.

A voz lhe sumiu na garganta por alguns instantes...

Lágrimas quentes rolaram do seu rosto
enquanto ele agradecia, emocionado,
por receber a melhor flor daquele jardim.

O garoto saiu saltitando, feliz, cheirando
outra flor que tinha na mão, e sumiu
no amplo jardim, em meio ao arvoredo.

Certamente iria consolar outros corações
que, embora tenham a visão física,
estão cegos para os verdadeiros valores da vida.

Agora o homem já não se sentia mais
desanimado e os pensamentos lhe
passavam na mente com serenidade.

Perguntava-se como é que aquele garoto
cego poderia ter percebido sua tristeza
a ponto de aproximar-se com uma flor
para lhe oferecer.

Concluiu que talvez a sua autopiedade
o tivesse impedido de ver a natureza que
cantava ao seu redor, dando notícias
de esperança e paz, alegria e perfume...

E como Deus é misericordioso, permitiu
que um garoto, privado da visão física,
o despertasse daquele estado depressivo.

E o homem, finalmente, conseguira ver,
através dos olhos de uma criança cega,
que o problema não era o mundo, mas ele mesmo.

E, ainda mergulhado em profundas reflexões,
levou aquela feia flor ao nariz e sentiu
a fragrância de uma rosa...

* * *


Verdadeiramente cego é todo aquele
que não quer ver a realidade que o cerca.

Tantas vezes, pessoas que não percebem
o mundo com os olhos físicos, penetram
as maravilhas que os rodeiam e
se extasiam com tanta beleza.

Talvez tenha sido por essa razão
que um pensador afirmou que
o essencial é invisível aos olhos.



Redação do Momento Espírita


Faze Luz
Quando te confias à maledicência, despedes da própria alma raios de treva e perturbação que, de retorno, te impõem dolorosa e indefinível tortura íntima a exprimir-se em obscuros processos de enfermidade.

Quando te entregas às sugestões da calúnia, exteriorizas da própria mente forças destrutivas que, de volta, te impelem à comunhão com as inteligências perversas que a veiculam, adquirindo invisíveis passaportes para os abismos da obsessão e do crime, da loucura e da morte.

Quando desces à crítica venenosa, na preocupação de ensombrar o caminho dos que te cercam, expulsas do próprio rito'>espírito dardos intangíveis e penetrantes de sofrimento e desânimo que, de regresso, te imobilizam os passos na noite da dificuldade e do desalento, de vez que, procurando salientar as deficiências e chagas alheias, não fazes mais que levantar a antipatia gratuita dos outros contra a segurança e a paz de teu próprio caminho...

Lembra-te de Jesus, cuja Infinita Misericórdia nos acompanha em todos os passos e auxilia sempre.

Recorda quantas vezes foram teus erros apagados pela Bondade Divina e não olvides o culto incessante que todos devemos à Humana Bondade.

Faze Luz no próprio roteiro para que a luz nos encontre.

Suportemos as faltas do próximo como desejamos sejam as nossas entendidas e toleradas.

E, desculpando infinitamente, alcançaremos, em nossa marcha, o Sol do Infinito Amor, cujos Raios Celestes nos asseguram todas as bênçãos da vida e que somente aguarda a nossa compreensão e nossa boa vontade para investir-nos na posse dos sublimes tesouros da Glória Excelsa.

Autor
Emmanuel