quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Desigualdades das riquezas: as provas da riqueza e da pobreza

• OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Explicar a razão da desigualdade das riquezas.

• Justificar a necessidade das provas da riqueza e da pobreza.

• A desigualdade das riquezas não se originará da das faculdades, em virtude da qual uns dispõem de mais meios de adquirir bens do que outros? Sim e não. Da velhacaria e do roubo, que dizes?

• Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 808.

• Por que Deus a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria?

• Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.

• Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 814.

• Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens.

• Allan Kardec: O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 16, item 10.

• A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.

• Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 815.

• Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens.

• Allan Kardec: O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 16, item 10.

• A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.

• Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 815.

• Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência.

• KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 16, item 7, p. 291.

• A riqueza, contudo, nunca esteve repartida igualmente entre os homens, fato que sempre preocupou os pensadores de todos os tempos.

• Nesse aspecto, porém, é importante, observar que inutilmente se buscará resolver o problema da desigualdade das riquezas [...] desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.

• KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Item 8, p. 291-292.

• . Ensina o Espiritismo que Deus concedeu as riquezas e o poder a uns e a miséria a outros para [...] experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.

• KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Questão 814, p. 426.

• Contudo, tanto a prova da miséria como a da riqueza são difíceis de serem suportadas, porque, enquanto a [...] miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.

• KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Questão 815, p. 426.

• Ressalte-se, no entanto, que somente a fé inabalável na vida futura – fé que o Espiritismo faculta – propiciará melhores condições de enfrentamento tanto da prova da miséria quanto a da riqueza.

• É que para [...] quem se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é indefinida, a vida corpórea se torna simples passagem, breve estada num país ingrato. As vicissitudes e tribulações dessa vida não passam de incidentes que ele suporta com paciência, por sabê-las de curta duração, devendo seguir-se-lhes um estado mais ditoso.

• KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 2, item 5, p. 70.

• Daí se segue que a importância dada aos bens terrenos está sempre em razão inversa da fé na vida futura.

• KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 2, item 5, p. 71.

• RIQUEZA E FELICIDADE

• Há ricos do dinheiro, tão ricos de usura, que se fazem mais pobres que os pobres pedintes da via pública que, muitas vezes, não dispõe sequer de um pão.

• Há ricos de conhecimento, tão ricos de orgulho que se fazem mais pobres que os pobres selvagens ainda insulados nas trevas da inteligência.

• Há ricos de tempo, tão ricos de preguiça, que se fazem mais pobres que os pobres escravizados às tarefas de sacrifício.

• Há ricos de possibilidades, tão ricos de egoísmo, que se fazem mais pobres que os pobres irmãos em amargas lutas expiatórias, que de tudo carecem para ajudar.

• Há ricos de afeto, tão ricos de ciúme, que se fazem mais pobres que os pobres companheiros em prova rude, quando relegados à solidão.

• Lembra-te, pois, de que todos somos ricos de alguma coisa ante o Suprimento Divino da Divina Bondade, e, usando os talentos que a vida te confia na missão de fazer mais felizes aqueles que te rodeiam, chegará o momento em que te surpreenderás mais rico que todos os ricos da Terra, porquanto entesourarás no próprio coração a eterna felicidade que verte do amor de Deus.

• Emmanuel

• XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA, Waldo. O Espírito da Verdade. Item 69.


Desigualdade das riquezas.
Provas da riqueza e da pobreza

01. Qual a finalidade da prova da pobreza? E da riqueza?

02. Que males poderão ser gerados com a pobreza e a

riqueza? E que benefícios?

03. Qual a causa da desigualdade das posses materiais?

04. É possível a igualdade das riquezas? Justifique a

resposta.

05. Quais as principais conseqüências oriundas do abuso

da riqueza?

06. Como interpretar a citação de Jesus: “É mais fácil que

um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que

um rico entrar no reino dos céus”?

07. O que entender das palavras de Jesus, quando

afirmou: “Observai os pássaros no céu”?

08. Em sua opinião, qual a prova mais difícil: a da

pobreza ou a da riqueza? Por quê?

Questões para debate

1. A igualdade das riquezas é possível no mundo em que vivemos?

2. Que conseqüências danosas adviriam da repartição igualitária da riqueza?

3. Como o Espiritismo conceitua a pobreza e qual a sua finalidade?

4. Como o Espiritismo conceitua a riqueza e qual a sua finalidade?

5. Podemos dizer que a riqueza é também instrumento de progresso?

Texto para leitura

A igualdade das riquezas traria conseqüências danosas

1. A igualdade das riquezas, ensinam os Espíritos Superiores, não é possível no mundo em que vivemos porque a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres. Os homens não são criaturas iguais. Há entre eles os que são mais previdentes, mais inteligentes e mais ativos. Logo, se a riqueza fosse repartida com igualdade entre todos, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito.

2. Admitindo, porém, por hipótese, que essa repartição fosse possível e o equilíbrio não se rompesse, duas conseqüências danosas para o progresso da Humanidade seriam inevitáveis.

3. Com efeito, tendo cada um somente o suficiente para viver, tornar-se-ia inviável a realização de todos os grandes trabalhos que requerem a alocação de recursos vultosos. Além disso, admitido que a divisão da riqueza desse a cada um o necessário, não existiria mais o aguilhão que impele os homens às descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda e ajude no progresso e bem-estar de todos.

Riqueza e pobreza são provas muito difíceis

4. Riqueza e pobreza nada mais são que provas, pelas quais o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto, que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentá-los de modos diferentes. Aliás, essas provas são, com freqüência, escolhidas pelos próprios Espíritos, que, no entanto, nelas geralmente sucumbem.

5. Tanto uma quanto outra são, portanto, provas muito difíceis, porque se na pobreza o Espírito pode ser tentado à revolta e à blasfêmia contra o Criador, na riqueza expõe-se ele ao abuso dos bens que Deus lhe empresta, deturpando-lhe os augustos objetivos.

6. Espíritos realmente evoluídos, tanto quanto os que compreendem perfeitamente o significado a Lei de Causa e Efeitos, podem solicitar a prova da pobreza como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou a realização de certas tarefas que a riqueza certamente prejudicaria. Algumas vezes, também, o mau uso da fortuna em precedente existência leva o Espírito a pedir a condição oposta, com o que espera reparar abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações.

7. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação. A riqueza é, para os que a usufruem, a prova da caridade e da abnegação. É preciso que entendamos sempre: a existência corpórea é passageira e a morte do corpo priva o homem de todos os recursos materiais de que eventualmente disponha no plano terráqueo. Pobres e ricos voltam, portanto, à vida espiritual em idênticas condições, o que mostra que a condição de rico e a condição de pobre não passam de expressões transitórias.

A riqueza é poderoso instrumento de progresso

8. Nenhuma das provas citadas constitui, no entanto, obstáculo à chamada salvação. Se fosse assim, Deus, que as concede, teria dado a seus filhos um instrumento de perdição, idéia que repugna à razão. No tocante à riqueza, é fácil perceber que, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, constitui ela uma prova muito arriscada e até mais perigosa que a miséria.

9. Certamente é a esse perigo que Jesus se referia quando disse: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”, frase registrada por Mateus, Lucas e Marcos. O Mestre fazia alusão bastante clara aos males e às tentações a que a riqueza pode conduzir o homem desprevenido, mas é um erro deduzir de suas palavras que ao rico esteja vedado o acesso à salvação, isto é, valendo-nos dos conceitos espíritas, à ascensão a planos evolutivos mais elevados.

10. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria outorgado aos homens. Mas, longe disso, a riqueza, se não constitui elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.

11. Com ela pode o homem melhorar a situação material do mundo em que vive, ampliar a produção de bens, criar maiores e melhores recursos sociais por meio do estudo, da pesquisa e do trabalho. Eis aí o motivo pelo qual é considerada elemento de progresso. Se o indivíduo que a detém se torna egoísta, orgulhoso e insaciável, e a desvia do seu objetivo providencial, prestará contas de seus atos ante a Justiça Divina, enquanto outros terão, por sua vez, oportunidade de fruí-la e provar, por suas atitudes, que é possível vencer essa difícil prova.

Respostas às questões propostas

1. A igualdade das riquezas é possível no mundo em que vivemos? R.: Não, porque a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres. Os homens não são criaturas iguais. Há entre eles os que são mais previdentes, mais inteligentes e mais ativos. Logo, se a riqueza fosse repartida com igualdade entre todos, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito.

2. Que conseqüências danosas adviriam da repartição igualitária da riqueza? R.: Duas seriam as conseqüências. A primeira: tendo cada um somente o suficiente para viver, tornar-se-ia inviável a realização de todos os grandes trabalhos que requerem a alocação de recursos vultosos. A segunda: admitido que a divisão da riqueza desse a cada um o necessário, não existiria mais o aguilhão que impele os homens às descobertas e aos empreendimentos úteis.

3. Como o Espiritismo conceitua a pobreza e qual a sua finalidade? R.: A pobreza, tal como a riqueza, nada mais é que uma prova pela qual o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentá-los de modos diferentes. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação.

4. Como o Espiritismo conceitua a riqueza e qual a sua finalidade? R.: A riqueza, como foi dito, é também uma prova pela qual o Espírito tem de passar, visando ao seu progresso. Se na pobreza o Espírito pode ser tentado à revolta e à blasfêmia contra o Criador, na riqueza expõe-se ele ao abuso dos bens que Deus lhe empresta, deturpando-lhe os augustos objetivos. A riqueza é, para os que a usufruem, a prova da caridade e da abnegação.

5. Podemos dizer que a riqueza é também instrumento de progresso? R.: Sim. Se não constitui elemento direto de progresso moral, a riqueza é poderoso elemento de progresso intelectual, pois com ela pode o homem melhorar a situação material do mundo em que vive, ampliar a produção de bens, criar maiores e melhores recursos sociais por meio do estudo, da pesquisa e do trabalho.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 811, 814 e 816.

O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XVI, itens 7 e 8.

O Pensamento de Emmanuel, de Martins Peralva, 2a. edição, pág. 50.

DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

Riqueza – de "rico", que vem da raiz gótica "riks", poderoso. O termo refere-se a uma afluência de bens que permite a satisfação não só das necessidades básicas, mas também das exigências do conforto e do luxo. Pode-se falar em riqueza pessoal, riqueza

nacional e riqueza mundial.

Por que há ricos e pobres? É uma questão em que os pensadores da humanidade ainda não chegaram a um consenso. Aventam-se uma série de hipóteses, como a posição geográfica de alguns países, a existência de recursos naturais próprios, o grau cultural de seus habitantes etc. Mas por que nos países ricos há uma quantidade considerável de pobres? A riqueza por eles produzida não poderia ser melhor distribuída? Onde buscar a explicação para esses fatos?

Allan Kardec, no cap. XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, oferece-nos alguns subsídios para a compreensão do problema. Reencarnação, livre-arbítrio e justiça divina são os tópicos fundamentais a serem considerados. Através da reencarnação, entendemos que o Espírito, sendo imortal, necessita das experiências da riqueza e da pobreza para a sua evolução espiritual; pelo uso do livre-arbítrio é responsável pelos seus atos; pela determinação do Direito Divino, sofre as conseqüências de suas escolhas. Nesse sentido, a pobreza pode ser, também, uma expiação com relação ao uso indevido da riqueza, numa encarnação passada.

Como dissemos, o Espírito necessita das provas da riqueza e da pobreza. A riqueza serve para o exercício da caridade e da abnegação; a pobreza, para o da paciência e resignação. Dentro desse enfoque, cada Espírito vai trabalhar a seu turno, segundo o gênero de provas que tenha escolhido. Nenhum trabalho ficará por fazer e todos nós auxiliar-nos-emos mutuamente.

Cada Espírito, fazendo o que lhe compete, encontrará a felicidade dentro dos limites de sua escolha. O bem-estar, sendo relativo, poderá ser patrimônio de toda a humanidade. Isso porque uns contentam-se em dormir ao relento, enquanto outros precisam de um palacete. Importa, muito mais, respeitarmos o livre-arbítrio de nosso próximo do que construirmos teorias sem bases espiritualmente sólidas.

Produzamos o máximo possível dentro de nossas limitações. Não queiramos invejar o rico nem desdenhar o pobre. Peçamos, sim, luzes ao Alto para compreendermos as leis naturais espalhadas pelo Cosmo

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. E, alias, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.
Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.

PROVAS DA RIQUEZA E DEPOBREZA

Paltalk : Jesus e a Doutrina dos Espíritos 23/11/07 (9h)

@Zach

814. Por que Deus concedeu a uns a riqueza e o poder e a outros, a miséria?

— Para provar a cada um de uma maneira diferente. Aliás, vós o sabeis essas provas são escolhidas pelos próprios Espíritos, que muitas vezes sucumbem ao realizá-las.

815. Qual dessas duas provas é a mais perigosa para o homem: a da desgraça ou a da riqueza?

— Tanto uma como a outra. A miséria provoca a lamentação contra a Providência; a riqueza leva a todos os excessos.

816. Se o rico sofre mais tentações, não dispõe também de mais meios para fazer o bem?

— E justamente o que nem sempre faz; torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável; suas necessidades aumentam com a fortuna e julga não ter o bastante para si mesmo.

Comentário de Kardec: A posição elevada no mundo e a autoridade sobre os semelhantes são provas tão grandes e arriscadas quanto a miséria; porque, quanto mais o homem for rico e poderoso, mais obrigações tem a cumprir, maiores são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo uso que faz de seus bens e do seu poder.

A riqueza e o poder despertam todas as paixões que nos prendem à matéria e nos distanciam da perfeição espiritual. Foi por isso que Jesus disse: — “Em verdade, vos digo: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. (Ver item 266.)

Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência.

KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 16, item 7, p. 291.

A riqueza, contudo, nunca esteve repartida igualmente entre os homens, fato que sempre preocupou os pensadores de todos os tempos.

Nesse aspecto, porém, é importante, observar que inutilmente se buscará resolver o problema da desigualdade das riquezas [...] desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos



Nossos velhos

Vimo-lo mais de uma vez. Anda pelas ruas da cidade, empurrando um carrinho, desses próprios para recolher papéis.

Traz o corpo arcado sob o peso dos anos e, por vezes, não se sabe com exatidão se ele conduz o carrinho de papéis ou se este o puxa, de um lado a outro, estabelecendo a direção a seguir, tal a dificuldade que se observa naquele homem.

Os dias frios o surpreendem na rua e, ao final do dia, ele comparece ao mercadinho do bairro para comprar um pãozinho, um ovo, um pacote de fubá.

Quando sorri, aparecem seus poucos dentes amarelados e gastos. Necessitaria tanto de um dentista.

Nos dias de inverno, quando estende a mão um pouco enrolada em panos para disfarçar o frio, pode-se perceber a cor arroxeada dos que têm dificuldade de circulação sanguínea.

Os olhos não são ágeis e precisos como na juventude e ele calcula mal o tempo que leva para passar de um lado ao outro da rua, levando o seu carrinho cheio de caixas, papéis e jornais.

Mas seus ouvidos permanecem atentos e ele pode muito bem ouvir as buzinadas nervosas dos carros que passam conduzidos por motoristas apressados, que não se dão conta da sua dificuldade.

É um catador de papel. Velho e cansado. Olhando-o assim indefeso e buscando sobreviver com um pouco de dignidade, pois se orgulha em afirmar que ainda trabalha, apesar da sua idade, recordamos dos nossos velhos.

Os que desfrutamos da felicidade de ter os avós ao nosso lado, os guardamos com carinho no aconchego do lar, e nos preocupamos com suas refeições. Observando que eles já não se alimentam quanto deveriam, preparamos copos de suco, vitaminas, durante o dia.

Escolhemos ovos frescos e lhes servimos, quentes, batidos, junto a outros complementos vitamínicos a fim de que não enfraqueçam.

E se adoecem, para logo buscamos o médico, o medicamento, a internação, o que seja necessário.

São os nossos velhos, que recebem a nossa atenção e a nossa ternura, na forma de abraços e carícias nas cabeleiras brancas.

E esses outros, perdidos nas ruas da cidade? Que fazemos por eles?

É da Lei de caridade que o forte trabalhe pelo fraco, que o jovem auxilie o idoso. Quando este não tem família ou quem o socorra, é a sociedade que deve ampará-lo.

Como a sociedade somos todos nós, os cidadãos, voltemos nossas vistas para esses que vivem seus últimos anos em abandono e tomemos resoluções firmes.

Não aguardemos que o governo o faça. A solução pode demorar um pouco mais e a necessidade é urgente.

Que tal pensarmos em adotar um idoso? Não haverá necessidade de que o levemos para casa mas bem podemos verificar as condições do seu barraco e melhorá-lo.

Providenciar cobertas quentes, alimentação adequada, visitá-lo, fazer com que se sinta gente e gente importante outra vez.

* * *

O homem tem o direito de repousar na velhice.

A nada deve ser obrigado, além do que lhe permitam as suas forças.

É importante que o idoso se sinta útil, querido, amado.

Afinal, muitos dos seus amigos já partiram para a Espiritualidade, alguns dos filhos se encontram distantes cuidando da própria vida.

Se não lhe dermos um motivo para viver, para ser feliz, ele se tomará de tristeza, mergulhará em depressão e mais cedo, muito mais cedo partirá, tristonho e abatido.

Lembremos: todo velho um dia foi moço, produziu, contribuiu com a sociedade de alguma forma. Merecerá concluir seus dias na Terra em total e desconfortável abandono?

Redação do Momento Espírita, com pensamentos dos itens 685 e 685ª de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed



Lição de felicidade

Foi num dia desses. Eram dois irmãos vindos da favela. Um deles deveria ter cinco anos e o outro dez. Pés descalços, braços nus. Batiam de porta em porta, pedindo comida. Estavam famintos.

Mas as portas não se abriam. A indiferença lhes atirava ao rosto expressões rudes, em que palavras como moleque, trabalho e filhos de ninguém se misturavam.

Finalmente, em uma casa singela, uma senhora atenta lhes disse: Vou ver se tenho alguma coisa para lhes dar. Coitadinhos.

E voltou com uma caixinha de leite. Que alegria!

Os garotos se sentaram na calçada. O menor disse para o irmão: Você é mais velho, tome primeiro...

Estendeu a caixa e ficou olhando-o, com a boca semiaberta, mexendo a ponta da língua, parecendo sentir o gosto do líquido entre seus dentes brancos.

O menino de dez anos levou a caixa à boca, no gesto de beber. Mas, apertou fortemente os lábios para que nenhuma gota do leite penetrasse. Depois, devolveu a caixinha ao irmãozinho:Agora é a sua vez. Só um pouco, recomendou.

O pequeno deu um grande gole e exclamou: Como está gostoso.

Agora eu, disse o mais velho. Tornou a levar a caixinha, já meio vazia, à boca e repetiu o gesto de beber, sem beber nada.

Agora você. Agora eu. Agora você.

Depois de quatro ou cinco goles, talvez seis, o menorzinho, de cabelo encaracolado, barrigudinho, esgotou o leite todo. Sozinho.

Foi nesse momento que o extraordinário aconteceu. O menino maior começou a cantar e a jogar futebol com a caixinha. Estava radiante, todo felicidade. De estômago vazio. De coração transbordando de alegria.

Pulava com a naturalidade de quem está habituado a fazer coisas grandiosas sem dar importância.

Observando aqueles dois irmãos e o Agora você, Agora eu, nossos olhos se encheram de lágrimas.

Que lição de felicidade! Que demonstração de altruísmo! O maior, em verdade, demonstrou, pelo seu gesto, que é sempre mais feliz aquele que dá do que aquele que recebe.

Este é o segredo do amor. Sacrificar-se a criatura com tal naturalidade, de forma tão discreta, que o amado nem possa agradecer pelo que está recebendo.

Enquanto os dois irmãos desciam a rua, cantarolando, abraçados, em nossa mente vários ensinos de Jesus foram sendo recordados.

Fazer ao outro o que gostaria que lhe fosse feito.

O óbolo da viúva.

Amai-vos uns aos outros...

* * *

Coloca, nas janelas da tua alma, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura para que alcances a felicidade.

Amando, ampliarás o círculo dos teus afetos e serás, para os teus amigos, uma bênção.

Faze o bem, sempre que possas. E, se a ocasião não aparecer, cria a oportunidade de servir. Deste modo, a felicidade estará esperando por ti.

Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.