quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Liberdade e Espiritismo


Livro: Já Estava Escrito
Hélio da Silveira Pinto

Causa surpresa aos que desconhecem a nossa Doutrina quando se afirma que o espírita é uma pessoa totalmente livre.

Custam a acreditar que o espírita não tem deveres religiosos, que não existem no Espiritismo, cultos, sacerdotes, dogmas, ritos, liturgia, templos e (as vezes o que mais surpreende) hierarquia.

Admiram-se de não haver obrigações, de qualquer espécie, imposta aos seus seguidores.

O espírita é orientado quanto ao certo e o errado, é claro, pois estuda o Evangelho e aprende toda beleza dos ensinamentos de Jesus.

Aprende que devemos amar e respeitar o próximo. Jesus mesmo disse (Jo 13:35) que seus seguidores seriam conhecidos por muito se amarem uns aos ouros.

Conhece, o espírita, diversas leis de origem divina como a do Progresso, da Igualdade, da Liberdade (de consciência, o livre arbítrio, de justiça, de amor e de caridade).

Fica sabendo que o livre arbítrio é conquistado pelo próprio espírito a medida que vai evoluindo, moral e culturalmente. Sendo essas leis divinas é lógico que atentarmos contra elas de certa forma é um atentado a Ordem Divina.

Assim, o espírita não é proibido de nada, mas sabe que deverá arcar com a responsabilidade por todos os atos, conscientes, de desequilíbrio que praticar.

Que terá que reconstruir o que destruir, responder pelo mal praticado e harmonizar o que desarmonizar, etc.

É o que podemos chamar de liberdade com responsabilidade.

Esse direito a liberdade no Espiritismo é tão diferente do que se passa em outras correntes religiosas que é sempre bom falar nela. Seja para ensinar aos neófitos como para relembrar aos demais companheiros.

Isso é tão importante que nunca é demais tocar no assunto, para evitar que o esquecimento caia sobre essa lei divina.

Afinal, os homens hoje não diferem muito (talvez sejam os mesmos) dos que, no passado, foram, pouco a pouco, modificando o Cristianismo e daí resultando toda uma seqüência de criações de práticas diferentes das dos primeiros cristãos.

Cultos, hierarquia e tudo mais, já citados no início desse artigo, são elementos estranhos ao Cristianismo primitivo.

Daí surgiu todo um formalismo e as criaturas ficaram presas a ele. Tudo marcado, limitado, obrigatório.

Há um dia, hora, local e formas determinadas, palavras e gestos cabalísticos, para cumprirem seus deveres.

Após séculos e séculos dessa prática mecânica, surge a idéia de que basta presenciar ou participar de um determinado ato religioso e será alcançada a quitação dos compromissos das criaturas com o Criador.

Resultado desse equívoco é essa humanidade de religiosidade apenas aparente porque, na verdade, no íntimo, é profundamente materialista.

Veja-se a maioria das pessoas que só se lembram de Deus quando têm algo para pedir

.

Agradecer, às vezes, por algo alcançado.

Mas agradecer existir, ter a vida, ter a ajuda espiritual em horas que nem ficamos sabendo?

Isso nem pensar.

O espírita não deve agir dessa maneira.

Ele não vai ao Centro para cumprir um dever ou uma obrigação.

Não pode se sentir obrigado a participar dos trabalhos da casa espírita porque ele sabe que é livre.

Pelo mesmo motivo também não pode querer obrigar alguém a freqüentá-la. Se fizer estará errando. Não existe o você TEM que ir lá.

O leitor, que me honra com sua atenção, poderá estar pensando: mas eu conheço quem faz essas coisas, como que espírita não faz isso?

Eu não disse que não faz, eu disse que não deve fazer, é diferente.

Os ensinamentos são claros com relação ao espírito de tolerância e o conseqüente respeito ao livre arbítrio do próximo. Infelizmente nem todas as pessoas já conseguiram vencer as mazelas do passado, vivido dentro de outros princípios.

Há, também, muito de ignorância (nem todos estudam como deviam) além de vaidade e orgulho que levam certos companheiros a atitudes não aconselháveis de superioridade e de donos da verdade.

O espírita equilibrado não comete mais esses equívocos, como também não vê no dirigente de casa espírita ou organização alguém com a missão de padre, pastor ou até de guru, para resolver assuntos pessoais e nem como instrumento de intercessão junto a Deus.

Os verdadeiros espíritas (os que promovem a reforma íntima), podem ser conhecidos, como os seguidores de Jesus, por muito se amarem.

Para alcançar tão difícil meta (amar) é preciso iniciar o caminho desenvolvendo o espírito de tolerância. Jesus ensinou e praticou a tolerância.

Ela nos ensina a aceitar as pessoas como elas são e não como queremos que elas sejam.

Se queremos mudá-las (para melhor?

Ou para o nosso gosto?) então estamos sendo tolerantes.

É preciso também aceitar o chamado lado sombra (o não agradável) que todos temos, pois faz parte do todo.

A tolerância é um componente importante para a prática do amor e da liberdade pregada pelo Espiritismo.

É necessário, ao espírita, incorporar no seu comportamento aquilo que aprende na Doutrina. Vejamos algumas coisas referentes ao nosso tema.

Em "A Gênese" capítulo 1ª, item 13, vemos Kardec tecer comentários sobre a liberdade de pensamento dos espíritas. Ali Kardec ensina que o espírita tem o direito inalienável de chegar às suas próprias conclusões. Nem poderia ser diferente, se temos liberdade de ação é porque temos a de pensamento portanto a de opinião. Seria absurdo liberdade de ação impensada.

Kardec vai mais além, sabendo, porque é lógico, que a liberdade de opinião iria importar em conclusões diferentes e sabendo também que nem todos já atingiram àquele estágio de evolução espiritual que permite alta tolerância, com a aceitação do próximo como ele é e, lógico, como ele pensa, previu que surgiriam dissidências de opinião.

Como sempre equilibrado, ele apresentou, de pronto, o remédio para o problema.

Na obra "Viagem Espírita em 1862", muito pouco conhecida e muito menos lida, no Projeto de Regulamento para Grupos e pequenas Sociedades Espíritas diz (nota na alínea b do artigo 5):

"Em caso de dissidência aquele que crer estar com a razão deverá prová-lo por um espírito de maior caridade e maior benevolência. O lado errado será, evidentemente aquele que denegrir o outro e atirar-lhe a pedra".

Lembram a citação do Jo 13:35 relativa aos seguidores de Jesus? Quem ofende ama o ofendido? Logo...!

É claro que quem não respeita o direito do outro de usar as prerrogativas que lhe foram dadas por Deus e confirmadas por Jesus, Kardec e os Espíritos, está completamente equivocado.

O Espiritismo não aceita donos da verdade até porque a espiritualidade e Kardec ensinam que a Revelação Espírita é progressiva e não está completa em parte alguma.

Já pensaram como será agradável o mundo quando todos os homens se respeitarem e, assim, respeitarem a Deus através da Sua obra, o próprio homem?

Não sei como alguém pode pensar em agradar um pai agredindo um de seus filhos.

O mesmo raciocínio deve ser aplicado a Deus, o Divino Pai, em relação aos seus filhos.

O espírita em seu próprio benefício, quando mais nao seja para praticar a virtude da tolerância, deve respeitar a liberdade de todos.

http://divaldofranconorj.multiply.com

Lei de Igualdade

Atividade de Integração

Em círculo será passado de mão em mão entre os jovens, uma pedra de gelo, uma

vela acesa, um perfume, uma agulha.

Compartilhar: O que isso tem a ver com o conteúdo de hoje? Todos temos as mesmas sensações de frio, calor, cheiro, dor. Somos iguais na essência, não obstante o sexo,cor, raça. “Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem

igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos, são iguais”.

O QUE TRABALHAMOS NESSA AULA

Atividade de Integração:

“Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem

igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como

o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo

nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos, são iguais”.

Conteúdo doutrinário

“Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos

tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que lhes dá aptidões diversas.

Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar. Demais, sendo solidários entre si todos os mundos, necessário se torna que os habitantes dos mundos superiores, que, na sua maioria, foram criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o exemplo.”

COMEMORAÇÃO DOS MORTOS - FUNERAIS


O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

IX - COMEMORAÇÃO DOS MORTOS - FUNERAIS

Perg. 320 - Os Espíritos são sensíveis à saudade dos que os amavam na Terra?

- Muito mais do que podeis julgar. Essa lembrança aumenta-lhes a felicidade, se são felizes, e se são infelizes, serve-lhes de alívio.

Perg. 321 - O dia de comemoração dos mortos tem alguma coisa de mais solene para os Espíritos? Preparam-se eles para visitar os que vão orar sobre os túmulos?

- Os Espíritos atendem ao chamado do pensamento, nesse dia como nos outros.

Perg. 321a - Esse é para eles um dia de reunião junto às sepulturas?

- Reúnem-se em maior número nesse dia, porque maior é o número de pessoas que os chamam. Mas cada um só comparece em atenção aos seus amigos, e não pela multidão dos indiferentes.

Perg. 321 - Sob que forma comparecem, e como seriam vistos, se pudessem tornar-se visíveis?

- Sob a que tinham em vida.

Perg. 322 - Os Espíritos esquecidos, cujas tumbas não são visitadas por ninguém, comparecem apesar disso e sentem algum desgosto por não verem nenhum amigo se lembrar deles?

- Que lhes importa a Terra? Somente pelo coração se prendem a ela. Se não mais o amam, nada mais há que faça o Espírito voltar à Terra. Ele tem todo o Universo pela frente.

Perg. 323 - A visita ao túmulo proporciona mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita em sua intenção?

- A visita ao túmulo é uma maneira de manifestar que se pensa no Espírito ausente: é a exteriorização desse fato. Eu já vos disse que é a prece que santifica o ato de lembrar; pouco importa o lugar, se a lembrança é ditada pelo coração.

Perg. 324. Os Espíritos das pessoas homenageadas com estátuas ou monumentos assistem às inaugurações e as vêem com prazer?

— Muitos as assistem, quando podem, mas são menos sensíveis às honras que lhes tributam do que às lembranças.

Perg. 325. De onde pode vir, para certas pessoas, o desejo de serem enterradas antes num lugar do que noutro? Voltam a ele com mais satisfação, após a morte? E essa importância dada a uma coisa material é sinal de inferioridade do Espírito?

— Afeição do Espírito por certos lugares: inferioridade moral. O que representa um pedaço de terra, mais do que outro, para o Espírito elevado? Não sabe ele que a sua alma se reunirá aos que ama, mesmo que os seus ossos estejam separados?

Perg. 325-a. A reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família deve ser considerada como futilidade?

— Não. E um costume piedoso e um testemunho de simpatia pelos entes amados. Se essa reunião pouco representa para os Espíritos, é útil para os homens: suas recordações se concentram melhor.

Perg. 326. A aíma que volta à vida espiritual é sensível às honras que tributam aos seus despojos mortais?

— Quando o Espírito já chegou a um certo grau de perfeição não tem mais a vaidade terrestre e compreende a futilidade de todas as coisas. Sabei, porém, que frequentemente há Espíritos que, no primeiro momento da morte, gozam de grande satisfação com as honras que lhes tributam, ou se desgostam com o abandono a que lançam o seu envoltório, pois conservam ainda alguns preconceitos deste mundo.

Perg. 327. O Espírito assiste ao seu enterro?

— Muito frequentemente assiste. Mas algumas vezes não percebe o que se passa, se ainda estiver perturbado.

Perg. 327-a. Fica lisonjeado com a concorrência ao seu enterro?

— Mais ou menos, segundo o sentimento que provoca essa concorrência.

Perg. 328 - O Espírito daquele que acaba de morrer assiste às reuniões de seus herdeiros?

- Quase sempre. Deus o quer, para sua própria instrução e para castigo dos culpados. É nessa ocasião que vê quanto valiam os protestos que lhe faziam. Todos os sentimentos se tornam patentes, e a decepção que experimenta vendo a capacidade dos que dividem os eu espólio, o esclarece quanto aos propósitos. Mas a vez deles também chegará.

Perg. 329 - O respeito instintivo do homem pelos mortos, em todos os tempos e entre todos os povos, é um efeito da intuição da existência futura?

- É a sua consequência natural. Sem ela, esse respeito não teria sentido.

CÉU, INFERNO, UMBRAL, PURGATÓRIO... - A GEOGRAFIA DO MUNDO ESPIRITUAL


“Dogmas são reflexos da ignorância humana”

A geografia do mundo espiritual, dividida em Céu e Inferno, habitada por Anjos e Demônios, foi uma invenção secular das “instituições religiosas”, como instrumento de dominação das massas.

A Igreja sempre buscou passar uma “imagem” onde Deus e os homens são duas coisas muito distintas, no complexo da Criação.

Nesse estudo, nos propomos a investigar a visão espírita daquilo que muitos costumam chamar de Céu ou Inferno, e percebemos que, além de não ocuparem um espaço definido no Universo, estão bem mais perto de nós do que possa parecer.

Essa visão, no entanto, se não for bem compreendida, continuará permeada de erros disseminados por dogmas estabelecidos.



O MEDO DE DEUS:

Uma das mais antigas tradições da Igreja é criar falsas idéias a respeito de Deus.

Disseminar o medo de Deus entre os homens é uma das grandes artimanhas do Clero, para manter o homem submisso às normas e ao poder da Igreja.

A “invenção” do pecado original – onde um homem, uma mulher, uma cobra e uma maçã, foi o quarteto responsável pela condenação da Humanidade inteira -, marca a ferro e fogo, do útero à cova, a alma humana.

Igual à “vida de gado”, seríamos um “povo marcado”, mas nem um pouco feliz, por nascermos condenados ao fogo do Inferno, por alguma coisa que sequer fizemos.

Vale lembrar ainda que, o único meio de “fazer alguém” – o sexo – também era considerado um grande pecado. Mas isso é outra história.

A imagem aterrorizante do “Deus de Moisés” – guerreiro, vingativo, chefe de Exércitos e com inimigos a combater ou derrotar – dividiu o mundo espiritual em espaços muito bem definidos, capaz de abrigar destinos diferenciados, para os bons e para os maus. Com isso, resgatou um sentimento muito característico dos povos primitivos: o medo da divindade, com quem era necessário “negociar”.

Além disso, ao dividir o mundo espiritual em duas regiões distintas, a Igreja mergulhou na Mitologia Pagã, resgatando o Paraíso dos Heróis e o Tártaro dos condenados.

Absorveram esses conceitos em sua Teologia, e se encarregaram de criar a imagem de um “lugarzinho infame”, de sofrimentos físicos e tormentos eternos, recheado de diabinhos e seus tridentes, a “cozinhar” todos aqueles que não fizeram direito a lição.

Mera alegoria.

Mas qual seria o objetivo de tanta alegoria?

Muito simples.

Quanto pior o cenário, maior o medo.

Arder no fogo do Inferno ainda é alguma coisa que tira o sono de muita gente, e enche de tranqüilidade as instituições religiosas, cujos interesses escondem-se por detrás do lema “Fora da Igreja não há salvação”.

Muito acima do bem estar de qualquer próximo mais próximo, é um jeito perfeito de garantir o poder temporal e financeiro do Clero.

O Teólogo católico Leonardo Boff, afirma que o inferno é uma invenção dos padres para manter o povo sujeito a eles.

É um instrumento de terror inventado pelas religiões para garantirem seus privilégios e suas situações de força.”

Diante de todas essas afirmações capazes de chocar os mais conservadores, vale a pergunta: o Inferno é alegoria ou realidade?

O Umbral é uma “filial espírita” do Inferno católico?

Vejamos o que dizem os Espíritos Superiores, através das Obras da Codificação.



A VISÃO ESPÍRITA DO CÉU E DO INFERNO:

Quando Kardec interrogou os Espíritos, para conhecer um pouco mais sobre a constituição física do mundo espiritual, partiu do seguinte princípio:

“Haverá, no Universo, lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos, segundo seus merecimentos?”

Os Espíritos foram objetivos em suas respostas:

As penas e gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos.

Cada um tira de sim mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça.

E como eles estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe, especialmente, destinado a uma ou outra coisa.” (LE, item 1012)

Mas Kardec ainda insiste na busca de detalhes:

“(...) o Inferno e o Paraíso não existe, conforme os homens imaginam? (...)

E mais uma vez, os Espíritos complementam, de forma muito clara: “São simples alegorias; por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos.

Entretanto, conforme já dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se reúnem por simpatias; mas podem reunir-se em qualquer lugar, quando são perfeitos.

A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só existe na imaginação do homem. Provém de sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.”

Traduzindo esses ensinamentos, podemos afirmar que, no mundo espiritual, os Espíritos tem o Universo inteiro como morada.

No entanto, aqueles menos evoluídos, em função do orgulho e egoísmo que alimentam, ficam presos ao solo do Planeta em que vivem, criando um “inferno moral” e, conseqüentemente, sofrendo pelo estado mental em que se colocaram.

Cabe muito bem, aqui, relembrar Emannuel quando afirma que “o céu começa sempre em nós mesmos, e o inferno é do tamanho da rebeldia de cada um.”

Segundo a Doutrina Espírita – e contrariando os princípios católicos do “pecado original” e da “redenção pela Graça” – todos, sem exceção, poderão ser salvos.

A visão espírita esclarece que não existem penas eternas e o prazo para a expiação para os Espíritos imperfeitos está diretamente relacionado à sua vontade de melhorar para evoluir.

Assim, na medida em que se libertam de seus vícios e defeitos, - despertando a “centelha divina” que potencializa o Espírito e o faz “à imagem e semelhança do Criador”, - vão ascendendo em sua escalada evolutiva.

Esse progresso, que permite reconhecer a beleza e a harmonia do Criador, presente em toda extensão do Universo, acontece a partir da possibilidade de sensibilidade e aprimoramento da percepção sensorial do Espírito.

É este cenário que simboliza a figura do Céu, que nada mais é do que o fato de o Espírito ter atingido a suprema condição de Espírito Puro.

Quando dizemos que “do átomo ao anjo, somos todos Espíritos a caminho da Luz”, significa que todo “demônio (Espírito Inferior) será anjo (Espírito Superior), um dia”.

Mas isso depende, unicamente, de cada um, pois “se quiser o Sétimo Céu, vai ter que subir degrau por degrau.

” Por Sétimo Céu, podemos entender a Suprema Plenitude de que gozam os Espíritos Perfeitos.


INFERNO E PURGATÓRIO:

Mas o que dizer sobre Inferno e Purgatório ?

Kardec questionou aos Espíritos, partindo do princípio de que conhecia casos em que Espíritos, cuja superioridade era confirmada pela linguagem manifestavam-se a pessoas idôneas, falando sobre inferno e purgatório.

A estas questões, os Espíritos responderam, com muita propriedade, que a linguagem escolhida é sempre aquela de melhor entendimento à pessoa que questiona.

Quando elas se encontram imbuídas de certos conceitos “cristalizados”, oferecer idéias completamente opostas seria o mesmo que chocá-las, ferindo-lhes a convicção.

Esse tipo de conduta, os Espíritos evitam.

INFERNO E UMBRAL:

Ao contrário do que parece, o Umbral não é uma filial espírita do Inferno.

Essa “visão”, embora tivesse servido de modelo, nada mais é do que a manutenção de velhos dogmas, com uma nova roupagem.

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, a palavra umbral deriva do espanhol e significa soleira, limiar, entrada, ou seja, a faixa mínima de piso que se acha entre as laterais de uma porta, portão ou passagem, e serve de limite entre um cômodo e outro numa construção.”

A obra “Nosso Lar”, de André Luiz, é uma das que melhor demonstram o que é o Umbral.

E, com certeza, não é um lugar equivalente ao dogma do Inferno.

Segundo André Luiz, quando desencarnou, encontrou-se em uma faixa, do mundo espiritual, de vibração extremamente densa.

Depois de algum tempo de desespero e sofrimento, ao fazer uma prece, foi acudido por um Bom Espírito e conduzido, à maneira de um ferido comum, à Colônia Nosso Lar.

Pôde, então, observar o trajeto que separava o Umbral da Grande Muralha que abrigava a Colônia.

Analisando esse trajeto, é possível perceber que, se o Umbral está separado da Colônia apenas por uma muralha, eles não se encontram em planos diferentes.

É preciso entender, acima de tudo, que o mundo espiritual descrito por André Luiz, é uma outra dimensão do Planeta Terra, no mesmo sistema planetário e girando em torno do Sol:

“Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra e o sol que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivifica o corpo físico.

Aqui, no entanto, nossa percepção visual é muito mais rica.”

Vejamos algumas passagens que definem bem o que é o Umbral:

“O Umbral começa na crosta terrestre.

É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos.

” Mais adiante, complementa:

O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima, a prestações, o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu, por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.”

“ O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se aí tudo o que não tem finalidade para a vida superior.

Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias.

Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie.

Pois o Umbral está repleto de desesperados.

Por não encontrarem o Senhor a disposição dos seus caprichos... essas criaturas revelam e demoram em mesquinhas edificações.”

Assim, é possível perceber que o sofrimento e desespero, mencionado nas páginas iniciais de “Nosso Lar”, não igualam o Umbral ao Inferno católico.

É fácil afirmar isso, visto que este é composto por sofrimentos físicos eternos, enquanto o Umbral nada mais é do que uma diferente faixa de vibração da matéria; uma faixa vibracional extremamente densa, localizada numa outra dimensão do Planeta Terra, onde o Espírito se depara com todos os seus vícios e defeitos, sofrendo por isso.

Assim, da mesma forma que o Inferno e o Paraíso, o Umbral não passa de um estado de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os Espíritos, por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos, durante toda vida encarnada ou depois dela.

É bom lembrar que somos todos Espíritos, encarnados ou não, vivendo cada um seu paraíso ou inferno particular.

O que nos diferencia de nossos irmãos desencarnados é apenas o fato de estarmos, por ora, vivendo uma de nossas muitas experiências, na densidade da matéria.

De resto, somos absolutamente iguais em tudo, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades.

Assim, no Umbral, tudo o que está fora de nós é conseqüência do que está dentro.

Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece, é mero reflexo do que trazemos na consciência.

O Umbral nada mais é do que uma faixa de freqüência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos têm afinidade e sintonia.

É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão a seus instintos, onde convivem com tudo o que lhes é característico, para, um dia, cansados de tanto “remarem contra a maré” de amor e luz do Universo, se entregam aos Espíritos que sempre estão por lá, em missões de assistência e resgate.

Na verdade, o Umbral funciona como um grande filtro.

A passagem pelo Umbral serve “para drenar energias negativas acumuladas numa encarnação de descaso e irresponsabilidade com a própria consciência e a de outros”, atitudes bem características do espírito humano, ainda em processo de evolução.

É um processo necessário para o bem do próprio Espírito, a fim de que ele possa se libertar de energias espirituais altamente tóxicas, que desequilibram e bloqueiam sua mente para receber energias mais sutis e saudáveis; além do que, perturbam ambientes mais equilibrados, como o de colônias espirituais, a exemplo de Nosso Lar.

Vale lembrar que essa “estadia” não se trata de castigo ou exclusão, mas de trabalho justo, necessário e amoroso.

Define-se o Umbral como “uma criação de amor e justiça divinos, onde espíritos desviados e profundamente desequilibrados encontram um meio no qual consegue viver e, ao mesmo tempo, aprender, enquanto se recuperam.”

Algumas pessoas questionam se não é pior para o Espírito ficar convivendo, tanto tempo, com energias negativas semelhantes às suas, agravando e intensificando seu próprio desequilíbrio.

Vale notar, porém, que alguns espíritos desencarnam em tal estado de alheamento e perturbação que não resta outro recurso a não ser deixar que a natureza siga o seu curso e cumpra o seu papel, através de um trabalho necessário de depuração, colocando-os, lado a lado, com seus semelhantes para que, juntos, filtrem uns dos outros, as energias que os envenenam, e, observando as atitudes uns dos outros, possam compreender onde erraram e busquem a suprema atitude de “querer” reiniciar um processo de reforma interior.



CONCLUSÃO:

Umbral, Céu e Inferno seria tema para muitas páginas, sob muitos pontos de vista.

No entanto, a visão espírita é clara quando revela o que muitas vezes, velhos dogmas se encarregaram de encobrir.

Quando Emannuel nos informa que “o céu começa sempre em nós mesmos e o inferno é do tamanho da rebeldia de cada um” deixa muito clara a idéia de “estado de espírito” que André Luiz evidenciou em “Nosso Lar”.

A divisão do mundo espiritual não é geográfica, mas vibratória.

Assim, cada um traz, em si mesmo, o inferno e o paraíso que construiu com o “barro e tijolo” de suas atitudes, pensamentos, sentimentos e, acima de tudo, com a “argamassa” do livre-arbítrio.

Se entre o Bem e o Mal existe apenas um “sim”, entre o Inferno e o Paraíso não existe outro caminho, senão aquele que nos encarregamos de traçar, ao longo de nossa trajetória “do átomo ao anjo”.

SUGESTÃO DE ESTUDO:

Leitura da Obra “Nosso Lar”, de Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:



ALAN KARDEC. O Livro dos Espíritos.

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER. Pelo Espírito André Luiz. Nosso Lar.

Revista Espiritismo e Ciência. nº16: “UMBRAL – Entre a Luz e as Trevas”. Texto de Maísa Intelisano. pp.26-33.

Revista Universo Espírita nº15: “Felicidade perfeita e sofrimento absoluto” Texto de Paulo Henrique de Figueiredo. pp.30-39.


FELICIDADE ESTÁ NAS PEQUENAS

Podemos notar que muitas vezes colocamos a felicidade muito distante de nós.
Não é a felicidade que está longe de nós, mas ao contrário, nós é que nos afastamos dela, na ilusão de que ela se encontra em lugar inatingível.

Há pessoas que colocam sua felicidade nas mãos dos outros, ou nas coisas materiais. Há outros que viajam o mundo em busca da felicidade.

Outros pensam que mudando de lugar encontrarão a felicidade.

Caros irmãos! Quanta ilusão e engano.

A felicidade está dentro de nós, bastando para isso que prestemos mais atenção às pequenas coisas do nosso cotidiano.

Vejam: uma conversa agradável com um grande amigo, o carinho de um ente querido, a percepção da natureza que trabalha incessantemente e harmoniosamente, o fato de sentirmos o calor do sol, a brisa suave que refresca, a leitura de um bom livro, a audição de uma linda melodia,

tudo isso é felicidade!

Se assim não fosse, não haveriam pessoas que são privilegiadas financeiramente, são dotadas de beleza física, são amadas, e ainda assim, são extremamente infelizes.

A felicidade está em nossas mãos.

Basta que a cultivemos dentro de nós.

Não olvidemos, ainda, que nosso Pai Celestial jamais criaria para nós uma felicidade inatingível.

Ele é tão bom, justo e amoroso, que a colocou muito próxima de nós, bastando para isso que tenhamos olhos para ver e ouvidos para ouvir!


Gotas De Paz