terça-feira, 26 de novembro de 2013


Passo de Luz

Nas tribulações ou discórdias que nos agravem os problemas da vida, recordemos a necessidade de certo donativo, talvez dos mais difíceis na beneficência da alma:
–O  primeiro passo para o reajuste da harmonia e da segurança.
Isso significa para nós um tanto mais de amor,
ainda mesmo quando nos vejamos ilhados no espinheiro vibratório da incompreensão.

Por vezes é o lar em tumulto reclamando a tranqüilidade, à face do desentendimento entre criaturas queridas.
Noutras circunstâncias, são companheiros respeitáveis, em conflito uns com os outros.
Em algumas situações  é o estopim curto da agressividade exagerada nesse ounaquele amigo, favorecendo a explosão violenta.
Em muitos lances do caminho é o sofrimento de algum coração brioso e nobre, mas ainda tisnado pelo orgulho a ferir-se.
Nessas horas, quando a sombra se nos estende a vida, em forma de perturbação e desafio a lutas maiores, bem-aventurados sejam todos aqueles que se decidam ao primeiro passo da benevolência e da humildade, da tolerância e do perdão, auxiliando-nos na recomposição do caminho.

Onde estiveres, com quem seja, em qualquer tempo e tanto quanto puderes, dá de ti mesmo esse acréscimo de bondade, recordando o acréscimo de misericórdia que todos recebemos de Deus, a cada trecho da vida.
Alguém nos injuria?
Suportar com mais paciência.
Aparece quem nos aflija?
Disciplinar-nos sempre mais na compreensão das lutas alheias.
Surgem prejuízos?
Trabalhar com mais vigor.
Condenações contra nós?
Abençoar e servir constantemente.

Em todas as situações, nas quais o mal entreteça desequilíbrio, tenhamos a coragem do primeiro passo, em que a serenidade e o amor, a humildade e a paciência nos garantam de novo a harmonia do Bem.




Emmanuel  &  Chico Xavier






sábado, 23 de novembro de 2013


  SUSSURROS DE DEUS


Um homem sussurrou: “Deus, fala comigo!”

E então cantou um passarinho. Mas o homem não escutou.

Então o homem gritou:

"Deus, fala comigo!"
E trovoes e raios apareceram no ceu...

Mas, de novo, o homem não notou... 

O homem olhou ao seu redor e disse: 
"Deus, deixe-me vê-Lo." 

E estrelas brilhantes apareceram...
Mas o homem não olhou para o céu e não a viu... 

Então, o homem indignado, fortemente gritou: 

"Deus, deixe-me ver um milagre!" E nasceu seu filho! 
  Mas o homem não se deu conta da nova e irrepetível vida que começava... 

Então, gritou desesperado: "Deus, toque-me, deixe-me senti-Lo.
" Nesse momento, Deus desceu do céu e tocou o homem em sua bochecha suavemente. 
Mas o homem tirou a linda borboleta de sua bochecha e seguiu seu caminho. 

Isto nos deve recordar que Deus sempre está ao nosso lado, em todos, os momentos no grande e no singelo, até nas coisas que não prestamos muita atenção. 

Principalmente nesta era eletrônica. 

Por isso, quando o homem, chorando, gritou: 
"Deus, necessito de Tua ajuda!", nesse momento, chegou a ele uma mensagem por e-mail, com boas notícias, dando-lhe alento, e com a oração e o abraço de alguém que  se importava com ele. 

Mas o homem não o viu... Ele seguiu trabalhando e o apagou sem ler. 

Deus nos fala através das pessoas mais simples e menos esperadas.

Treinamos os nossos sentidos para reagir apenas aos impulsos da sobrevivência, mas há realidades que só se percebem com o espírito.
Aqueles que aquietam o coração e se deixam tocar pelo Eterno, escutam o ... Sussurro de Deus.


Muita Paz!!

Uma História Real de Dois Músicos


Eis uma história que muito poucos conhecem. Refere-se a dois, dos três músicos tenores que encantaram o mundo, cantando juntos.
Devido a questões políticas, Carreras e Domingo, tornaram-se inimigos.
Sempre muito solicitados em todo o mundo, ambos faziam questão de exigir nos seus contratos, que só atuariam em determinado espetáculo se o adversário não fosse convidado.
Em 1987 apareceu a Carreras um inimigo muito mais implacável que o seu rival, Plácido Domingo. Foi surpreendido por um diagnóstico terrível: leucemia.
A sua luta contar a doença foi muito difícil, tendo-se submetido a diversos tratamentos, que o obrigava a viajar mensalmente até os Estados Unidos. Nestas circunstâncias, não podia trabalhar e apesar de ser dono de uma fortuna razoável, os elevadíssimos custos das viagens e dos tratamentos, acabaram com suas finanças.
Quando não tinha mais condições financeiras, teve conhecimento da existência de uma fundação em Madrid, cuja finalidade era apoiar o tratamento de doentes com leucemia. Graças ao apoio da Fundação “Formosa”, Carreras venceu a doença e voltou a cantar.     
Voltou então a ganhar dinheiro e resolveu associar-se à fundação. Foi ao ler os documentos que descobriu que o fundador e maior colaborador e presidente da fundação era Plácido Domingo.
Depressa soube que Domingo tinha criado a fundação para ajudá-lo e que tinha mantido no anonimato para que ele não se sentisse humilhado ao aceitar o auxílio do seu “inimigo”.
Mas o mais comovente foi o encontro de ambos em Madrid, Carreras interrompeu a atuação deste, subindo ao palco e humildemente ajoelhou-se a seus pés, pediu-lhe desculpas e agradeceu-lhe publicamente.
Plácido ajudou-o a levantar-se e com um abraço, selaram o início de uma grande e bela amizade.
 
Vamos saber o que Jesus ensinou? Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita, para que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos dê a recompensa.”  (Mateus VI : 1 a 4)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Tudo depende de nós



Quem de nós alguma vez já não se sentiu frustrado?

Sentiu-se só, amargurado, preso a desilusões?

Sentiu-se derrotado em suas batalhas diárias?

Sentiu-se isolado e esquecido? Ignorado por todos? Desprovido de sonhos?...

Você já parou para pensar que suas dores, suas derrotas e desilusões são atraídas apenas por você? Pela sua falta de Fé? Por não crer o suficiente em Deus Pai e muito menos crer em sua capacidade de melhorar?

Olhe à sua volta e veja quanta riqueza na natureza. Olhe e perceba quantas alegrias a serem vividas!

Não deixe que as amarguras, desilusões e o egoísmo prevaleçam em sua vida! Não se deixe dominar por sua própria sombra, que não o deixa ver a grandiosa luz que o ilumina e que o fortalece. A luz que clareia sua escuridão e que o faz enxergar sempre além das dificuldades e provações.

Procure perceber que, através da sua Fé, a esperança se sobrepõe às amarguras e tristezas que você mesmo atrai para si.

Por seus pensamentos negativos, por não dar valor àquilo que possui, é que você não vê a alegria e a felicidade que tem à sua disposição.

Por não saber como resolver seus próprios problemas, você se entrega aos vícios, que tornam ainda mais distantes a realização dos seus melhores sonhos!

Não firme seus olhos sobre seus sofrimentos e dores, de modo que você não consiga dar valor aos seus maiores tesouros. Tesouros de grande importância para seu espírito: o amor e o perdão.

Seus dias serão ainda mais iluminados se você souber reconhecer as bênçãos que recebe e souber agradecer ao Nosso Pai por elas. Lembrando sempre que suas dores ou seus amores, sua alegria ou sua tristeza, sua riqueza ou pobreza, enfim, tudo o que existe em sua vida, é apenas resultado daquilo que você mesmo trouxe para si. Deus apenas cumpriu a sua vontade. Ele apenas lhe deu conforme você mentalizou e, mesmo inconscientemente, desejou.

Seus dias serão de alegria e felicidade se você souber cultivar o Amor e transmitir amor para seus irmãos. O Amor traz benefícios que se espalham ao longo do caminho de quem o distribui e torna grandioso seu caminhar.

Eleve seu pensamento a Deus, buscando o Amor que Ele tem por todos nós, e a paz reinará em seus dias; e tudo aquilo que você tanto almeja em sua vida se tornará realidade, amparado na força de sua fé.

Pare de se iludir, achando que você é um sofredor. Mantenha seus pensamentos na busca incessante do Amor, acreditando na providência divina, tendo fé em Deus e crendo que ele suprirá todas as suas necessidades. Acredite, tenha fé, e não tema. Tudo caminha para melhor. Portanto, veja sempre o melhor na sua vida.

Procure elevar seu pensamento a Jesus a cada instante, a cada dia, para que Ele o oriente e o faça enxergar dias repletos de harmonia e paz. Abra o seu coração e se deixe conduzir sempre pela fé e pela esperança. Olhe à sua volta e veja quanta riqueza na natureza. Olhe e perceba quantas alegrias a serem vividas! Deus as criou para você também desfrutá-las. Mas essa decisão é sua! Depende apenas de você! 


Texto psicografado por Márcio Godofredo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


HYDESVILLE E SEU DESFEIXO EM 1904

«Diz-se que a primeira mensagem que foi transmitida pelo cabo submarino era uma trivialidade, uma pergunta feita pelo engenheiro inspetor”. Não obstante, desde então o empregam reis e presidentes. É assim que o humilde espírito do vendedor assassinado em Hydesville pode ter aberto uma passagem, através da qual se precipitaram os anjos. Há bons e maus e inumeráveis intermediários no outro Lado, como do lado de cá do véu. A companhia que atraímos depende de nós mesmos e de nossos próprios motivos».
(Doyle, A.C. - História do Espiritismo, São Paulo: Pensamento, 1960, p.73).

  Em 11 de Dezembro de 1847, a família Fox instalou-se em modesta casa no vilarejo de Hydesville, estado de Nova Iorque, distante cerca de 30 km da cidade de Rochester.
  O nome da família Fox origina-se do sobrenome Voss, depois Foss e finalmente Fox. Eram de origem alemã, da parte paterna, e francesa, holandesa e inglesa, da parte materna. Seus antecessores foram notoriamente dotados de faculdades paranormais.
  O grupo compunha-se do chefe de família, John Fox e de mais duas filhas Kate, com 7 anos, e Margareth com 10 anos. O casal Fox possuía mais filhos. Entre eles convém destacar outra filha, Leah, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como mrs. Fish, mrs. Brown e mrs. Underhill.
  Leah escreveu um livro, The Missing Link, Nova Iorque, 1885, no qual ela faz referências às faculdades paranormais dos seus parentes anteriores.
  Inicialmente tomaram parte nos acontecimentos somente Kate e Margareth, mas posteriormente Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subsequentes ao de Hydesville.
A Casa já era Assombrada!

  Lucretia Pulver era uma jovem que servira como dama de companhia do casal Bell, quando eles habitaram a referida casa até 1846. Ela contou uma curiosa história de um vendedor que se hospedara com os Bell. Na noite em que o vendedor passou com aquele casal, Lucretia foi mandada dormir fora, em casa dos pais. Três dias depois tornaram a procurá-la. Então lhe disseram que o vendedor fora embora. Ela nunca mais viu este homem.
  Depois disso, passado algum tempo, aproximadamente em 1844, começaram a dar-se fenômenos estranhos naquela casa. A mãe de Lucretia, sr.ª Ann Pulver, que mantinha relações com a família Bell, relata que, em 1844, quando visitara a sr.ª Bell, indo fazer tricot em sua companhia, ouvira desta uma queixa. Disse-lhe que se sentia mal e quase não dormira à noite. Quando lhe perguntou qual a causa, a sr.ª Bell declarou que se tratava de rumores inexplicáveis; parecera-lhe ter ouvido alguém a andar de um quarto para o outro; acordou o marido e fê-lo levantar-se para trancar as janelas. A princípio tentou afirmar à sr.ª Pulver que possivelmente se tratasse de ratos. Posteriormente, confessou não saber qual a razão de tais rumores, para ela inexplicáveis.
  A jovem Lucretia Pulver também testemunhou os fenómenos insólitos observados naquela casa. Eis o seu relato: «Vivi naquela casa durante um inverno, com a família Bell”. Trabalhava para ela uma parte do dia, e o resto do tempo ia à escola ou bordava. Vivi assim cerca de três meses. No fim desse período frequentemente ouvia batidas na cama e abaixo dos pés da mesma. Ouvi uma porção de noites, pois dormia nesse quarto todo o tempo que lá estive. Uma noite parece-me ter ouvido um homem andando pela dispensa. Esta peça era separada do quarto pela escada. A senhorita Aurélia Losey ficou comigo naquela noite; ela também ouviu o barulho e ambas ficámos muito assustadas; levantámo-nos, fechámos as janelas e trancámos a porta. Parece que alguém andava pela dispensa, na adega e até no porão, onde o barulho cessava. Nessa ocasião não havia mais ninguém na casa, exceto o meu irmãozinho, adormecido no mesmo quarto que nós. Isto foi cerca da meia-noite. Não tínhamos dormido quando ouvimos o barulho. O sr. e a sr.ª Bell tinham ido a Loch Berlin, onde ficariam até o dia seguinte». (Doyle, A.C. - História do Espiritismo, São Paulo, Pensamento, 1960, pp. 483-484).

Os Bell terminaram por mudar-se daquela casa...

  Em 1846, instalou-se ali a família Weekman: sr. Michael Weekman, sr.ª Hannah Weekman e suas filhas. Alguns dias após se terem alojado na referida casa, passaram a ser perturbados por ruídos insólitos: batidas na porta de entrada, sem que ninguém visível o estivesse fazendo; passos de alguém andando na adega, ou dentro de casa. O casal Weekman foi acordado por uma das suas filhas que dormia no quarto onde se ouviam batidas. Eis como a sr.ª Hannah relatou este episódio: «Algumas noites depois, uma de nossas meninas, que dormia no quarto onde agora são ouvidas as batidas, acordou-nos a todos a soluçar”. O meu marido, eu e a empregada, levantámo-nos imediatamente para ver o que se passava. Ela sentou-se na cama, em pranto, e custou a verificar o que se passava. Disse ela que algo se movimentava acima de sua cabeça e que ela sentia um frio sem saber o que era. Disse havê-lo sentido sobre o corpo todo, mas que ficara mais alarmada ao senti-lo sobre o rosto. Estava muito assustada. Isto se passou entre meia-noite e uma hora. Ela levantou-se e foi para nossa cama, mas custou muito a adormecer. Só depois de muitos dias conseguimos que fosse dormir na sua cama. Tinha ela então oito anos». (Opus cit. pp. 484-485).
  A família Weekman, como se esperava, não permaneceu muito tempo naquela casa sinistra. Em fins de 1847 deixou-a vaga, saindo de lá definitivamente.
  Desse modo, atingimos a data de 11 de Dezembro de 1847, quando a referida casa passou a ser ocupada pela família Fox, conforme já mencionámos no início deste trabalho.
  Inicialmente os Fox não sofreram nenhum incómodo na sua nova residência. Entretanto, algum tempo depois, mais precisamente nos dois primeiros meses de 1848, os mesmos ruídos insólitos que perturbaram os antigos inquilinos voltaram a manifestar-se outra vez.
  Eram batidas leves, sons semelhantes a arranhões nas paredes, assoalho e móveis, os quais poderiam perfeitamente ser confundidos com rumores naturais produzidos por vento, estalos do madeira ou ratos. Por isso, a família Fox não deveria ter-se sentido molestada ou alarmada. Entretanto, tais ruídos cresceram de intensidade, a partir de meados de Março de 1848. Batidas mais nítidas, sons de arrastar de móveis começaram a fazer-se ouvir, pondo as meninas em sobressalto, a ponto de se negarem a dormir sozinhas no quarto, e passaram a querer dormir no quarto dos pais. A princípio, os habitantes ainda incrédulos quanto à possível origem sobrenatural dos ruídos, levantaram-se e procuravam localizar as causas naturais dos mesmos.
  Na noite de 31 de Março de 1848, desencadeou-se uma série de sons muito fortes e continuados. Aí, então, deu-se o primeiro lance do fantástico episódio, que ficou como um marco inamovível na história da fenomenologia paranormal. A garota de 7 anos de idade - Kate Fox - na sua espontaneidade de criança teve a audácia de desafiar a «força invisível» a repetir, com os golpes, as palmas que ela batia com as mãos! A resposta foi imediata, e a cada estalo um golpe era ouvido logo a seguir! Ali estava a prova de que a causa dos sons seria uma inteligência incorpórea.
  Para apreciar-se bem o sabor desta incrível aventura, vamos transcrever alguns trechos do depoimento de Margaret Fox: «Na noite de sexta-feira, 31 de Março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixámos perturbar pelos barulhos: íamos ter uma noite de repouso”. O meu marido, que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou na pesquisa. Naquela noite, fomos cedo para a cama - apenas escurecera. Achava-me tão alquebrada e com falta de repouso que quase me sentia doente. O meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu distinguia-o de quaisquer outros ruídos jamais ouvidos. As meninas, que dormiam noutra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos».
  «Minha filha menor, Kate, disse, batendo as palmas: sr. Pé Rachado faça o que eu faço”. Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro, e bateu palmas. Então os ruídos produziram-se como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: Oh! Mãe! Eu já sei o que é. Amanhã é 1 de Abril e alguém quer fazer-nos uma brincadeira».
  Então pensei em fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo uma pausa de um para o outro, a fim de separá-los, até ao sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido».
  Então perguntei: É um ser humano que me responde tão corretamente?.  Não houve resposta. Perguntei: É um espírito? Se for dê duas batidas. Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse. Se foi um espírito assassinado dê duas batidas. Estas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Perguntei: Foi assassinado nesta casa? A resposta foi como a precedente. A pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinara nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a sua família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: Continuará a bater se chamar os vizinhos para que também escutem? A resposta afirmativa foi alta».
  Desse modo foram chamados vários vizinhos, os quais por sua vez convocaram outros, de maneira que, mais tarde e nos dias subsequentes, o número de curiosos era enorme. Naquela noite compareceu o sr. Redfield, o sr. e a sr.ª Duesler e os casais Hyde e Jewel.
  «Mr.”. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. De seguida indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não tive resposta. Após isso, mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas. Perguntou: Foi assassinado? Resposta afirmativa. O seu assassino pode ser levado ao tribunal? Nenhuma resposta. Pode ser punido pela lei? Nenhuma resposta. A seguir disse: Se o seu assassino não pode ser punido pela lei, dê sinais. As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto de leste, há cinco anos, e que o assassínio fora cometido à meia-noite de uma terça-feira, por mr. ...; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo tinha sido enterrado; tinha passado pela despensa, descido a escada e enterrado a 10 pés abaixo do solo. Também foi constatado que o móbil fora o dinheiro».
  «Qual a quantia: 100 dólares?”  Nenhuma resposta. Duzentos? Trezentos? Etc. Quando mencionou 500 dólares, as batidas confirmaram».
  «Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam a pescar no ribeirão”. Estes ouviram as mesmas perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. O meu marido ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons, mas ao anoitecer recomeçaram. Diziam que mais de 300 pessoas estavam presentes. No domingo os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa».
  Estes são os principais trechos do depoimento de Margaret Fox, que mais nos interessam para dar uma descrição viva dos acontecimentos de Hydesville, na noite de 31 de Março de 1848. (O COMEÇO DO ESPIRITISMO!)
      
As Escavações
  Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega visando encontrar os despojos do suposto assassinado. Eis que, através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, chegaram à identidade da vítima. Tratava-se de um vendedor chamado Charles B. Rosma, o qual tinha 31 anos quando, há 5 anos, fora assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo inquilino. Só poderia ter sido o sr. Bell... Mas onde a prova de facto, o cadáver da vítima? A solução seria procurá-lo na adega, onde estaria enterrado.
  As escavações, porém, não levaram a resultados definitivos, pois deram na água, sem que se tivessem encontrado quaisquer indícios. Foram, por isso, suspensas.
  No Verão de 1848, o próprio David Fox, auxiliado por alguns interessados, retomou o empreendimento. A uma profundidade de 1,5 metros, encontraram uma tábua. Aprofundada a cova, encontraram-se carvão, cal, cabelos e alguns ossos, que foram reconhecidos por um médico como pertencentes a esqueleto humano; nada mais.
  As provas do crime eram precárias e insuficientes, razão talvez pela qual o sr. Bell não foi denunciado.

Descoberta do Esqueleto
  No número de 23 de Novembro de 1904 do Boston Journal, foi noticiada a descoberta do esqueleto de um homem que se supunha ter ocasionado os fenómenos na casa da família Fox em 1848: «A descoberta foi feita por meninos de escola, que brincavam na adega da casa de Hydesville, conhecida como a casa assombrada, onde as irmãs de Fox tinham ouvido as batidas”. William H. Hyde, respeitável cidadão de Clyde e dono daquela casa fez investigações e encontrou um esqueleto humano quase completo entre a terra e os escombros das paredes da adega, sem dúvida pertencentes àquele vendedor que, segundo se dizia, tinha sido assassinado no quarto de leste da casa e cujo corpo tinha sido enterrado na adega». (Doyle, A.C. - Opus cit. pp. 82-83).
  Junto ao esqueleto foi encontrada uma lata, de uma espécie costumeiramente usada por vendedores. «Esta lata é agora conservada em Lilydale, a sede central regional dos espiritualistas americanos, para onde foi transportada a velha casa de Hydesville».
  Portanto, 56 anos depois, em 22 de Novembro de 1904, data do encontro do esqueleto do vendedor, ficou plenamente confirmada à veracidade das comunicações obtidas em 1848, na casa assombrada habitada pela família Fox, em Hydesville.
O Movimento Espalha-se!
  As duas garotas, Margareth e Kate foram afastadas de sua casa, pois parecia que os fenómenos eram ligados, sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com seu irmão David Fox. A Kate mudou-se para Rochester, onde ficou na casa de sua irmã Leah, então casada e agora sr.ª Fish.
  Entretanto os ruídos insistiram em acompanhar as irmãs Fox, onde elas se achavam ocorriam os fenómenos. Parece que agora se observava uma espécie de contágio, pois Leah Fish, a irmã mais velha, começou a apresentar também os mesmos fenómenos.
  Logo mais começaram a surgir em outras famílias: «Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e mostrando-se nas pessoas susceptíveis”. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Reverendo A. H. Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenómenos físicos irromperam na família do diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois Mrs. Sarah A. Tamlin e Mrs. Benedict, de Auburn, desenvolveram notável mediunidade. (...)» (Opus cit. p. 85).
  O movimento espalhar-se-ia mais tarde pelo mundo, conforme fora afirmado numa das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis insistiam para que se fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente. Era a nova mensagem que vinha do mundo dos espíritos conclamando os homens para outra posição filosófico-religiosa.
  Posteriormente as irmãs Fox prestaram-se a exibições públicas. Uma delas, a Kate Fox, foi à Europa onde pôde ser estudada por sábios de renome como William Crookes, S. C. Hall, Crowell F. Varley, prof. Butlerof, Alexandre Aksakof e outros. A carreira das irmãs Fox foi acidentada, tendo elas sofrido também muitas perseguições e difamações injustas.
  Muito mais poderia ser dito acerca das consequências do episódio de Hydesville, mas estamos subordinados às justas limitações destas colunas.
  A onda «espiritualista» passou da América para a Europa, onde o terreno já se encontrava preparado pelo desenvolvimento científico e onde os fenómenos poderiam ser estudados com rigor e profundidade pelos primeiros metapsiquistas ou pelos fundadores da chamada Psychical Research.


Hernani Guimarães Andrade.



A LIÇÃO INESQUECÍVEL



  Hilda, menina abastada, diariamente dirigia más palavras à pequena vendedora de doces que lhe batia humildemente à porta da casa.
  – Que vergonha! De bandeja! De esquina a esquina! Vai-te daqui! – Gritava, sem razão.
  A modesta menina se punha pálida e trêmula.
  Entrementes, a dona da casa, tentando educar a filha, vinha ao encontro da pequena humilhada e dizia, bondosa:
  – Que doces tão perfeitos! Quem os fez assim tão lindos?
  A mocinha, reanimada, respondia, contente:
  – Foi a mamãe.
  A generosa senhora comprava sempre alguma coisa e, em seguida, recomendava à filha:
  – Hilda, não brinques com o destino. Nunca expulses o necessitado que nos procura. Quem sabe o que sucederá amanhã? Aqueles que socorremos serão provavelmente os nossos benfeitores.
  A menina resmungava e, à noite, ao jantar, o pai secundava os conselhos maternos, acrescentando:
  – Não zombes de ninguém, minha filha! o trabalho, por mais humilde, é sempre respeitável e edificante. Por certo, dolorosas necessidades impelirão uma criança a vender doces, de porta em porta.
  Hilda, contudo, no dia seguinte, fustigava a vendedora, exclamando:
  – Fora daqui! Bruxa! Bruxa!...
  A mãe devotada acolhia a pequena descalça e repetia à filha as advertências carinhosas da véspera.
  Correu o tempo e, depois de quatro anos, o quadro da vida se modificara.
  O paizinho de Hilda adoeceu e debalde os médicos procuraram salvá-lo. Morreu numa tarde calma, deixando o lar vazio.
  A viúva recolheu-se ao leito extremamente abatida e, com as despesas enormes, em breve a pobreza e o desconforto invadiram-lhe a residência. A pobre senhora mal podia mover-se.
  Privações chegaram em bando. A menina, anteriormente abastada, não podia agora comprar nem mesmo um par de sapatos.
  Aflita por resolver a angustiosa situação, certa noite Hilda chorou muitíssimo, lembrando-se do papai. Dormiu, lacrimosa, e sonhou que ele vinha do Céu confortá-la. Ouviu-o dizer, perfeitamente:
  – Não desanimes, minha filha! vai trabalhar! Vende doces para auxiliar a mamãe!...
  Despertou, no dia imediato, com o propósito firme de seguir o conselho.
  Ajudou a mãezinha enferma a fazer muitos quadrinhos de doce de leite e, logo após, saiu a vendê-los. Algumas pessoas generosas compravam-nos com evidente intuito de auxiliá-la; entretanto, outras criaturas, principalmente meninos perversos, gritavam-lhe aos ouvidos:
  – Sai daqui! Bruxa de bandeja!...
  Sentia-se triste e desalentada, quando bateu à porta de uma casa modesta. Graciosa jovem atendeu.
  Ah! que surpresa! era a menina pobre que costumava vender cocadas noutro tempo. Estava crescidinha, bem vestida e bonita.
  Hilda esperou que ela a maltratasse por vingança, mas a jovem humilde fitou nela os grandes olhos, reconheceu-a, compreendeu-lhe a nova situação e exclamou, contente:
  – Que doces tão perfeitos! Quem os fez assim tão lindos?
  A interpelada lembrou os ensinamentos maternos de anos passados e informou:
  – Foi a mamãe.
  A ex-vendedora comprou quantos quadrinhos restavam na bandeja e abraçou-a com sincera amizade.
  Desse dia em diante, a menina vaidosa transformou-se para sempre. A experiência lhe dera inesquecível lição.

Cândido Xavier - Neio Lúcio
Fonte: Mensagens Espírita